
“Os meninos têm de estar focados.” – tripulações submarinas não sabem da pandemia. Qualquer coisa que prejudique o mental é segredo. Ignorance is bliss.

Panelas Virais
A notícia.
Isolado, Bolsonaro faz seu quarto pronunciamento desde que começou a crise do coronavírus, abaixa o tom, mas distorce as falas do chefe da OMS.
Moendo os grãos.
Em mais um discurso na TV, e mais uma sessão de panelaço, o presidente tentou um tom mais ameno e até pediu “união”, mas manipulou as falas do diretor da Organização Mundial de Saúde e deu a entender que a OMS é contra as medidas de isolamento adotados por dezenas de países. A OMS respondeu ao presidente afirmando ser contra o relaxamento das políticas de distanciamento social.
Mentira tem perna curta.
Mais cedo, o presidente já havia descontextualizado o discurso do diretor da OMS ao usar somente o trecho em que Tedros Adhanom fala sobre a necessidade das pessoas trabalharem “para garantir seu pão”, omitindo justamente as palavras que vieram antes em que ele defende que governos aumentem gastos públicos e garantam “bem-estar e assistência” aos mais vulneráveis, sem renda no momento.
Caiu a ficha?
Mas Bolsonaro parece, de leve, que começa a levar um pouco mais a sério a crise que o país atravessa – ou então está preocupado de perder a cadeira. Após meses debochando da “gripezinha”, ontem o presidente não criticou diretamente o isolamento social e se referiu à pandemia como “maior desafio de nossa geração”. Essa expressão foi justamente usada, na semana passada, pelo comandante do Exército brasileiro.
É justamente aos militares.
A quem o presidente vem pedindo ajuda em sua pior crise até agora. Em meio à guerra contra governadores, a tensão entre ministros, e sua polêmica posição – de afrouxar a quarentena – até mesmo dentro do governo, Bolsonaro chorou em uma reunião. Os ministros Sérgio Moro, da Justiça, e Paulo Guedes, da Economia, dois pilares que legitimam a atual administração, já declararam apoio a Mandetta, ministro da Saúde, se opondo assim ao próprio líder da nação.
Não à toa.
O presidente traz os seus filhos cada vez mais pra perto. O vereador do Rio, Carlos Bolsonaro, é um dos filhotes que ganhou sala no Palácio do Planalto, desde que começou a crise do coronavírus. No mesmo andar de seu pai.
Atualizando…
O governo suspendeu ontem o aumento de preço dos remédios por 60 dias; já a ajuda de R$ 600 para trabalhadores informais só deve começar em 15 de abril – o que vem sendo criticado por deputados e organizações civis. São agora 201 mortos e 5.700 mil casos de COVID-19 no país, que anda lento e sem testes em meio à aproximação do pico da pandemia, que chega agora em abril.
Enquanto isso.
Do Pacaembu ao Maraca: os templos do futebol se transformam para ajudar no combate ao coronavírus.

American horror story.
Trump alertou ontem que as duas próximas semanas serão “muito, muito dolorosas”. Os EUA podem ter de 100 mil a 240 mil mortos por COVID-19, de acordo com a própria Casa Branca; já são quase 200 mil casos e quase 4 mil mortes – bem mais que a China. Perguntado sobre Bolsonaro, Trump não falou do colega, mas disse que pensa em banir voos no Brasil. Ontem a ONU disse que o coronavírus é “o maior teste da humanidade desde a 2a Guerra Mundial”. Mapeando o coronavírus: veja quais países têm mais mortes. São 850 mil casos no mundo e 41 mil mortos – até agora.
Eu e você, você e eu.
Ford e General Electric, duas gigantes, fecharam parceria para para produzir juntas ventiladores para os hospitais – algo que está em falta nos EUA (e em muitos outros países). Grandes empresas têm trocado suas fabricações por equipamento médico. Ao invés de tênis, a New Balance, por exemplo, começará a fazer máscaras.
Bielo who?
Com todas as principais ligas e torneios de futebol suspensos na Europa, a galera se voltou para Bielorrússia – único país que recusa-se a parar de jogar bola.
Old, but gold.
Terminando… a venda de quebra-cabeças disparou com a pandemia.
Here comes the sun.
Para terminar, Beatles na voz de Caetano, Milton, Gil, e Rita.
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Uma ótima quarta. Até amanhã.