
“Deus me disse.” – o xamã siberiano que viajou 3.000km a pé para livrar o presidente russo do demônio. Ele foi preso e Putin não será exorcizado. Xô, satanás.

Parem de Nos Matar
A notícia.
Ágatha Félix é a quinta criança morta pela polícia no Rio esse ano.
Moendo os grãos.
Aos 8 anos de idade, a menina foi atingida por um tiro de fuzil nas costas, sexta à noite, no Complexo do Alemão, Zona Norte da cidade. A PM disse que houve um confronto entre criminosos e policiais. A família nega. “Que confronto? A mãe dela passou lá e viu que não tinha nada. Atirou por atirar. Atirou na Kombi e matou minha neta. Isso é confronto?”, perguntava o avô da garota.
Bala achada.
Ainda sem esclarecimentos da PM, a morte de Ágatha continua com muitas perguntas sem respostas. O governo do Rio não se pronunciou sobre o que, de fato, ocorreu. Moradores dizem que o autor seria um policial da UPP que teria suspeitado de uma moto e resolveu atirar. No sábado, segurando cartazes como “A vida na favela importa”, dezenas de moradores fizeram uma manifestação contra a violência policial.
Apocalipse now.
Desde que o governador Witzel assumiu, multiplicaram-se os vídeos de helicópteros com policiais atirando e blindados derrubando barracos. Como explica a jornalista Flávia Oliveira, “são ações que produzem pânico e morte nos morros — onde vive a população negra e de baixa renda — sem melhora na percepção de segurança no Estado do Rio”. É necropolítica que chama.
Necropolítica?
“Basicamente uma política de morte, o poder de ditar quem deve viver e quem deve morrer. Fica estabelecido que aqueles corpos são matáveis”, define Juliana Borges, pesquisadora em antropologia. Os números confirmam a escalada da violência nas favelas. Até julho, foram 1075 assassinatos em ‘ações policias’. Um recorde histórico. 16 crianças foram baleadas. Cinco morreram.
Start Spreading the News, I’m Leaving Today
A notícia.
Bolsonaro embarca hoje pra NYC, onde abrirá amanhã os trabalhos da 74a Assembleia-Geral da ONU.
Moendo os grãos.
O discurso já foi finalizado e ele está “pronto para o combate”, afirmou o porta-voz da presidência. Ontem o ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, que já está em New York City, disse que o presidente vai transmitir à comunidade internacional um esclarecimento sobre o que de fato vem rolando na Amazônia. De acordo com Bolsonaro, ainda vai rolar jantarzinho com Trump na viagem.
It’s a party in the USA.
Como é tradição desde a criação da ONU, o Brasil é o primeiro a discursar. Em seguida, vem os EUA. Ao longo dos próximos cinco dias, quase 200 líderes mundiais se reunirão em NY, de Trump a Bolsonaro, passando pelo francês Macron, a alemã Merkel, o chinês Xi Jinping, além do príncipe da Arábia Saudita e o presidente do Irã, que estão a um passo de uma guerra; because why not.
Make Love, Not CO2
A notícia.
Chega de blá, blá, blá. É hora dos líderes arregaçarem as mangas e colocarem ideias em ação – pelo menos, essa é a ideia da cúpula de mudança climática da ONU.
Moendo os grãos.
Esse ano, nas vésperas da Assembleia-Geral da ONU, que começa amanhã, um encontro global do mais alto nível na sede das Nações Unidas, em NYC, discutirá a crise climática. Líderes das principais potências são esperados para falar sobre o que fizeram desde o Acordo do Clima de Paris, em 2015, um passo histórico no esforço da humanidade para frear as consequências da crise climática.
Acordo de Paris? Me relembre isso aí.
Nada menos que 197 nações se comprometeram, pela primeira vez, a não deixar a temperatura da Terra subir mais de 1,5oC acima do que era antes da Revolução Industrial. Fun fact: Os últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados. O inverno no Ártico está 3oC mais quente do que nos anos 1990.
It’s getting hot in here.
Hoje 60 líderes mundiais terão a oportunidade de falar. Muitos anunciarão medidas mais agressivas para, de fato, cumprir as metas do Acordo de Paris. Dois detalhes: o Brasil foi retirado da lista de oradores, por não entregar a papelada que deveria, e Trump resolveu ignorar a cúpula. Ele até vai à sede da ONU, mas para fazer outras coisinhas.
Nós somos jovens, jovens.
Na sexta, inspirados pela ativista de 16 anos, Greta Thunberg, milhões de jovens iniciaram uma ‘greve global pelo clima’ – imensos protestos pedindo ação urgente dos líderes mundiais. O que ficará claro hoje é que os governantes – a maioria com ligação às indústrias poluentes – e manifestantes habitam o mesmo planeta, mas vivem em dois mundos diferentes.

So call me maybe.
Trump pressionou o presidente da Ucrânia para que investigasse o filho de Joe Biden, que tem grandes chances de ser o rival de Trump em 2020. No sábado, Biden acusou Trump de “abuso de poder” e democratas falam em “comportamento pra impeachment”. Ontem Trump disse que não quis machucar o ex-vice-presidente, mas que a corrupção de “americanos como Biden” tem de ser investigada. Tendi.
Quebra-cabeça.
Os EUA mandaram tropas para a Arábia Saudita, seu principal aliado no Oriente Médio. Os sauditas afirmam que o Irã atacou sua refinaria, há uma semana. Os iranianos negam. Ali perto, em Israel, deu ruim pro primeiro-ministro Netanyahu, que não conseguiu a maioria das cadeiras no parlamento. Ele então sugeriu ao rival, Benny Gantz, formar um governo de coalizão juntos. Gantz não aceitou. Ontem parlamentares árabes apoiaram Gantz como o novo primeiro-ministro.
The winner takes it all.
Na grande noite da televisão, o principal Emmy, o de melhor série dramática, claro, foi pra “Game of Thrones”. E Peter Dinklage levou melhor ator coadjuvante – vamos ignorar que todas as indicadas de GOT à melhor atriz coadjuvante (Sophie Turner, Maisie Williams, Gwendoline, e a favorita Lena Hedey) perderam pra Julia Garner (“Ozark”). Já Billy Porter se tornou o primeiro homem gay a ganhar melhor ator. Mas quem roubou a cena foi “Fleabag”, que levou 4 Emmys, incluindo melhor série cômica. “Chernobyl” também bombou e levou melhor série limitada, melhor roteiro, e melhor diretor. Veja a lista completa de vencedores.
Se segura, malandro. Pra fazer a cabeça tem hora.
Terminando… cogumelos alucinógenos vão ganhar o seu próprio centro de pesquisas. O primeiro laboratório desse tipo vai abrir na Jamaica. E os EUA vão ganhar o seu primeiro coffeeshop de cannabis. Lowell Café abre amanhã em Los Angeles.
When you wish upon a star (of David).
Para terminar, a primeira princesa judia da Disney.
