
“Uma homenagem às vacas.” – empresa de laticínios no Oregon que fabrica vodka a partir do leite da vaca. Blame it on the cow-cow-cow-cowcohol.

E Nessa Loucura, Vou Negando
A notícia.
Na TV, em meio a panelaços, Bolsonaro ataca governadores, pede a reabertura de escolas e comércio, culpa mídia pelo “pânico” e volta a falar em “gripezinha”.
Moendo os grãos.
O presidente foi mais longe do que nunca e, contrariando as evidências científicas e recomendações médicas, triplicou a aposta ao pedir o fim do “confinamento em massa”. O distanciamento social tem sido usado em diversos países como uma das únicas medidas possíveis no momento para tentar achatar a curva de contágio do novo coronavírus.
Disfarçando as evidências.
O próprio Ministério de Saúde do governo de Jair Bolsonaro já declarou, mais de uma vez, a importância de ficar em casa. Mas no pronunciamento oficial em cadeia de rádio e TV, o líder da nação simplesmente negou tudo o que as autoridades sanitárias disseram até hoje. O país perplexo.
Capitão Coronga.
Atordoado desde que a crise do COVID-19 se intensificou, Bolsonaro fez agora o terceiro pronunciamento sobre o vírus em menos de 20 dias. O texto foi feito sem a participação de nenhum ministro. Ele contou com a ajuda do filho Carlos e o ‘gabinete do ódio’. Vamos aos highlights:
Fim da quarentena.
“Algumas autoridades têm de abandonar o conceito de terra arrasada” e reabrir tudo. A COVID-19 “brevemente passará” e a “nossa vida tem de continuar. Devemos sim voltar à normalidade,” disse Bolsonaro. Governadores têm adotado medidas de isolamento – como em outros países –, mas o presidente é contra e comprou brigacom vários deles – como João Doria e Witzel.
Doença de velho.
Além do comércio, Bolsonaro diz que é hora de reabrir escolas: “O grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas?” e continuou, “raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade. 90% de nós não teremos qualquer manifestação caso se contamine”. Ainda que a parcela de jovens seja bem menor, a doença pode atingir qualquer idade. Os jovens também são responsáveis pela rápida disseminação do vírus.
Breaking news.
Ele bateu também na cobertura da imprensa brasileira: “Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro chefe o anúncio de um grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com um clima totalmente diferente do nosso”. Especialistas usam a curva da Itália justamente como a mais parecida com a curva do Brasil.
Vejam só os meus músculos.
E não faltou o seu deboche nada eloquente: “No meu caso, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico* daquela conhecida televisão”. O presidente ainda aproveitou para fazer propaganda de um remédio ainda em testes, o cloroquina.
Falso Messias.
A repercussão foi instantânea com mais um panelaço pelo 8o dia consecutivo. Críticas vieram do Senado, da Câmara, do Supremo, e da comunidade médica. O presidente da OAB falou no pronunciamento “mais desonestos da história”. Diversos governadores criticaram Bolsonaro, como Witzel, que afirmou que o Rio segue orientações médicas internacionais.
Enquanto isso.
Amazonas e Rio Grande do Sul tiveram as primeiras mortes por COVID-19. O Brasil tem agora 48 mortos e mais de 2.200 casos confirmados. Durante a pandemia, a Agência de Energia Elétrica (Aneel) suspenderá o corte de energia de inadimplentes.
*referência a Drauzio Varela, que em 30 de janeiro gravou um primeiro vídeo sobre o coronavírus que tem sido descontextualizado por bolsonaristas.
Mais Cafeína, Por Favor
Patente alta, bigode grosso.
A ala militar tenta controlar a crise em meio à insatisfação com Bolsonaro e Guedes. O presidente até já foi aconselhado por muitos militares a maneirar a fala com os governadores. Ontem o comandante do Exército disse que o coronavírus “é a crise mais importante de sua geração”. Avisa ao chefe.

Confinados.
A Índia iniciou a maior quarentena do planeta. O isolamento total de 1,2 bilhão de indianos vai durar três semanas. O país tem quase 500 casos confirmados de COVID-19 e 10 mortes. São agora 2,6 bilhões pessoas isoladas em todo o mundo. Já na Europa, o que chama a atenção é a baixa taxa de letalidade do vírus na Alemanha. Repare. Na Itália, a taxa é de 9.5% para os diagnosticados com COVID-19, já na França o índice é de 3.4%, e na Alemanha, 0.4%.
Dollar, dollar bill, y’all.
O Senado americano entrou em acordo com a Casa Branca sobre o maior pacote de estímulo da história dos EUA. As bolsas, claro, subiram à espera desse superpacote de estabilização de US$ 2 trilhões em plena pandemia. Por aqui, o dólar fechou a R$ 5,08. Em meio às incertezas, de janeiro pra cá, o Ibovespa já caiu 40%.Ainda no mercado, o presidente da Bolsa de NY vendeu milhões em ações antes da crise do coronavírus; a sua esposa é senadora e participou de reuniões confidenciais.
#Tokyo2021.
Após meses de muita discussão interna, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse ontem que o Comitê Olímpico Internacional aceitou adiar as Olimpíadas em um ano. A pressão só vinha aumentando e, nessa semana, o Canadá e a Austrália decidiram não mandar seus atletas. As Olimpíadas nunca foram adiadas (ou canceladas) em tempos de paz. Em 1940, quando começou a 2a Guerra Mundial, a sede era justamente Tóquio.
Don’t let me be the last to know.
Usando o “coronavírus” como desculpa, Bolsonaro emitiu um decreto que suspende o atendimento à Lei de Acesso à Informação (2011), que garante que cidadãos possam pedir dados, documentos e infos públicas ao governo. Ontem o Incra negou documentos a procuradores usando o novo decreto. Mas buscar informação é problema em épocas de coronavírus? A OAB entrou na Justiça contra o decreto.
Homemade.
Terminando… o número dois do Ministério da Saúde sugeriu que a população faça as suas próprias máscaras. Fica a dica.
Margarita Wednesday.
Para terminar, cinco drinques fáceis para fazer em casa e aliviar o isolamento social.
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Uma quarta-feira proveitosa, vai. Até amanhã.