ESPRESSOU-SE
“Agradeço o interesse, mas a aparição deste personagem foi coisa de uma (e última) vez na vida.” – Meryl Streep comentou ontem sua hilária e super convincente performance de ninguém menos que Donald Trump. Mais uma para seu currículo de camaleão. Com uma gravata vermelha, peruca, e um bronzeado fake, a ganhadora de 3 Oscars se apresentou em um palco no Central Park, na segunda-feira; surpresa para o público e até para os organizadores do evento anual de gala do Public Theater, um tributo a Shakespeare.
ESPRESSO NACIONAL
Guerra: Judiciário X Classe Política
A notícia.
Brasília não fala de outra coisa a não ser o inimaginável pedido de prisão feito por Rodrigo Janot contra os caciques do PMDB. É a República de cabeça para baixo.
Moendo os grãos.
O Supremo não gostou do vazamento. E o mundo político acordou em choque ontem. Ninguém soube o que fazer, tanto o novo governo quanto a própria oposição acharam “too much” o pedido de Janot (prisão de toda a cúpula do PMDB) ao STF. Um ex-presidente da República? Um presidente do Senado Federal? Nunca antes na história do país. Renan afirmou que o pedido é “abusivo” e “desproporcional”; o ex-presidente José Sarney, se disse “revoltado” e “perplexo” (o seu pedido é de prisão domiciliar com tornozeleira); e o ex-ministro e presidente do PMDB, Romero Jucá, falou em “absurdo”. (Cunha, claro, também encontra-se no pedido).
O grande bloco dos Unidos Contra as Prisões.
O PT não acha que se pode sair pedindo a prisão assim “de todo mundo”. O PSDB concorda. É o sistema político em modo de ‘auto-proteção’. Já Marina Silva, 3a colocada das últimas eleições, afirmou que ‘estamos num poço sem fundo’. Ainda que não considere o impeachment um “golpe”, afirma que Temer, tampouco tem as condições de “passar o Brasil a limpo”. Aguardemos os próximos capítulos; a bola, mais uma vez, está no Supremo.
ESPRESSO IMPORTADO
O Próximo a Cair?
A notícia.
A Venezuela deu mais um passo ontem rumo à derrubada do presidente Nicolas Maduro – em mais um dia de protestos no país.
Moendo os grãos.
Ao passo que a América Latina parece trocar seus governos à “esquerda” por governos mais à “direita” (Kirchner por Macri – via eleições – na Argentina, Dilma por Temer – via impeachment – no Brasil), o mesmo pode ser que aconteça na Venezuela – via referendo. O Parlamento (controlado pela oposição pela 1a vez em 14 anos de chavismo) quer fazer uso de um referendo para tirar Maduro do poder. A medida está prevista na Constituição venezuelana, tal como um ‘recall’.
Mas não vai ser nada fácil.
Mês passado, Maduro declarou “Estado de Emergência”, o que lhe conferiu poderes ilimitados. Em seguida afirmou que o Legislativo havia se tornado irrelevante. Enquanto isso, falta comida, água, e papel higiênico nos supermercados e o setor elétrico vive uma crise sem precedentes. A The Economist compara a Venezuela de hoje em dia ao Zimbábue de 15 anos atrás. No passado ficaram os tempos áureos do chavismo. Em meio aos protestos, Maduro adota medidas cada vez mais ditatoriais. Tenso. Muito tenso.
ESPRESSO SHOTS
Super Hillary! Ainda que os candidatos já estejam decididos – Hillary, do lado democrata, e Trump, do lado republicano, primárias ocorreram em 6 estados americanos ontem. E Hillary é agora, oficialmente, a primeira mulher a conquistar os delegados necessários para tornar-se candidata de um grande partido americano.
Abduzida. O Conselho de Ética adiou (novamente) a votação do relatório que ocorreria ontem. Dessa vez, não foram os aliados, mas quem é contra Cunha. O Conselho está super dividido, e o voto decisivo vai ser da deputada do PRB, Tia Eron. Tia Eron simplesmente sumiu ontem. Muito se especulou. Ela apareceu a noite e disse que vai cumprir com suas obrigações. Você já deixou #ForaCunha na página de Tia Eron, hoje?
Batalha final. O presidente do Supremo, Lewandowski, negou ontem três recursos do impeachment; dois da defesa de Dilma (trocar o relator e incluir alguns dos áudios de Sérgio Machado) e um do PSDB (diminuir o número de testemunhas – continuam as 48 testemunhas de defesa). O impeachment será decidido em agosto.
(Brazilian) girl power. SQN. A Forbes divulgou sua lista das 100 mulheres mais poderosas do mundo de 2016, e diferentemente de anos anteriores, a presidente Dilma deixou de integrar a lista. Nenhuma brasileira aparece na lista.
Lenda X lenda. O ano é 1978 e Muhammad Ali está prestes a enfrentar o homem mais poderoso do mundo, Superman. Na platéia: dos Beatles a Pelé, de Andy Warhol a Batman. A icônica capa do gibido Superman vs. Muhammad Ali é uma das imagens mais compartilhadas desde a morte do campeão.
Obrigação de ganhar. A Seleção enfrenta hoje o frágil time do Haiti pela 2a rodadada da Copa América Centenário (edição especial, a 1a fora da América do Sul).