ESPRESSOU-SE
“Ursos d’água.” – é como são conhecidos os tardígrados, animais microscópicos soltos na Lua, após a queda de uma espaçonave israelense. Habemus fauna lunar.

ESPRESSO IMPORTADO
Premonição
A notícia.
Medo de recessão global contamina os mercados, derruba as bolsas em todo mundo, e faz o dólar subir no Brasil.
Moendo os grãos.
Os indícios de que uma crise econômica pode estar se formando, e o mundo pode entrar numa perigosa recessão foram evidenciadas ontem com os dados da maior economia europeia, a Alemanha, que encolheu 0,1% no segundo trimestre de 2019. Ou seja, está na beira de uma recessão, cuja definição técnica é: dois trimestres seguidos de queda.
Sinais de fogo.
Quem também parece estar à beira de recessão técnica é o Brasil, que encolheu 0,13% no segundo trimestre, de acordo com o índice prévio do Banco Central. Os dados oficiais saem até o fim do mês. Na segunda, o ministro Paulo Guedes pediu “paciência”, que a economia cresce. Já a China, nos últimos semestres, vem repetindo o pior crescimento dos últimos 30 anos. Chato.
Juntos e shallow now.
Alemanha, Brasil, e ainda o Reino Unido, a Itália, e o México, já são cinco grandes economias mundiais em risco de recessão. E a galera tá surtando. Ontem o Down Jones, principal índice da bolsa de NY, teve o pior dia do ano. Nervosos, os investidores têm vendido coisinhas de alto risco (como ações) e comprado investimentos mais seguros (como títulos).
Além do mais.
Num cenário de insegurança, o dólar serve como porto seguro, assim como já foi o ouro até os anos 1940. Se o mundo financeiro fica instável, possuir dólar é muito mais seguro, do que peso, real, ou rublos. Logo, a tendência é que a moeda se valorize. Investidores retiram dólares de mercados emergentes e fogem pra lugares mais seguros.
Lembrando: os sintomas de que o mundo pode estar às vésperas de uma recessão ainda acontece em meio à inédita e poderosa guerra comercial – e possivelmente cambial? – entre as duas maiores economias do mundo, os EUA e a China. E ainda o Brexit, que acontece até outubro. Medinho.
ESPRESSO NACIONAL
In God We Trust
A notícia.
Em meio às turbulências, o Banco Central vai vender dólares à vista, pela primeira vez desde 2009.
Moendo os grãos.
Dessa forma, o BC pretende injetar rapidamente dólares no mercado de câmbio e protegê-lo de variações excessivas em meio às previsões nada animadoras sobre economia mundial. Ao invés do chamado ‘swap cambial’, tradicionalmente usado, no qual o BC vende contratos em dólar que paga em juros a variação da moeda, os dólares das reservas internacionais agora serão vendidos à vista.
Dollar, dollar bill.
O BC fez questão de frisar que nada disso muda a política cambial de ‘moeda flutuante’ – quando a variação do dólar não é artificialmente congelada. Lembrando que a Recessão de 2009 – a pior crise financeira desde a Grande Depressão de 1929 – mudou o futuro político; alterou a ordem internacional; e seus efeitos são sentidos até hoje. Desde então, o Banco Central não vendia dólares à vista.
ESPRESSO SHOTS
Por una cabezaaa.
Após a vergonhosa derrota nas prévias das eleições argentinas, na qual foi castigado, o presidente Macri anunciou ontem um pacote de bondades. Em uma aparição na TV, pediu desculpas por dizer que os eleitores argentinos não souberam votar; assumiu a responsabilidade; e fez coisinhas que sempre criticou no peronismo dos Kirchner: congelou o preço da gasolina, e aumentou o salário mínimo. 12 horas depois voltou atrás sobre a gasosa.
Meu passado me condena.
Por 2 a 1, a segunda instância derrubou a decisão da primeira instância e decidiu que um militar será julgado por tortura e estupro durante a ditadura militar. O sargento reformado Antônio Pinheiro de Lima, o ‘Camarão’, é acusado de, em 1971, sequestrar e estuprar a ex-integrante de grupos revolucionários, Inês Romeu. É a primeira vez que um militar responderá por estupro durante a ditadura.
Ser ou não ser, eis a questão.
O juiz supremo Ricardo Lewandowski rejeitou o pedido do partido Cidadania para suspender a indicação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos EUA. Ele nem chegou a analisar o mérito da ação – se é nepotismo –, apenas apontou questões técnicas que impediam a contestação do Cidadania. Bolsonaro prepara a terceira viagem aos EUA, em setembro, quando espera que o filho já tenha sido confirmado no Senado.
Middle school.
A Portuguesa rebateu o tuíte do ministro da Educação que ironizou as manifestações de terça-feira contra muitas das políticas adotadas por ele e fez chacota com o time de futebol, que completou 99 anos ontem e está fora das divisões do campeonato. De acordo com Abraham Weintraub, os protestos pareciam mais “torcedores da Portuguesa”.
Takeover.
Terminando… a parceria milionária entre a NFL e Jay-Z, que é quem vai organizar o show de intervalo do Super Bowl. Aceita.
Despacito.
Para terminar… cuidado ao comer tacos.
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Uma quinta produtiva. Até amanhã.