ESPRESSOU-SE
“Ele gosta de abraçar.” – o homem que usa um jacaré para apoio emocional contra depressão. Ele diz que seu médico sabe e aprova. É o bicho, é o bicho.
ESPRESSO NACIONAL
DA LAMA AO CAOS
A notícia.
Após um tsnumai de lama voltar a engolir pessoas e casas, sirenes soaram ontem em Brumadinho com risco de outra barragem se romper.
Moendo os grãos.
Três anos após o pior desastre ambiental da história do Brasil, uma nova barragem da Vale – terceira maior empresa do país – voltou a se romper, dessa vez, em Brumadinho, Minas Gerais. Uma avalanche de lama pegou de surpresas funcionários e moradores. O clima é de desespero, medo e confusão. ‘Acabou tudo. Não sobrou ninguém’, dizem sobreviventes, ‘era uma onda por cima de outra’. Cenas de terror.
Vale?
O complexo onde ocorreu o desastre tem quatro minas e duas usinas. O rompimento foi na mina Córrego do Feijão, e duas outras barragens ainda transbordaram. Aí ontem, bombeiros alertaram de que havia chance de novo rompimento, mas horas depois voltaram atrás. Bolsonaro sobrevoou a área e disse que tá mandando pessoal e equipamentos israelenses.
Tem mais.
Diferentemente da barragem da Samarco, em Mariana, onde a área administrativa era mantida acima da barragem, em Brumadinho, os refeitórios, escritórios, e oficinas eram localizadas abaixo da barragem. Ou seja, foi tudo destruído pela lama. Mais de 400 pessoas estavam por lá na hora, 279 trabalhadores já foram resgatados com vida.
DÉJÀ VU
Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
O que já se sabe é que será uma tragédia humana muito maior do que foi Mariana – que teve 19 mortos. O presidente da Vale, que assumiu em 2017 com o lema ‘Mariana Nunca Mais”, fez um mea-culpa na sexta: ‘como dizer que aprendemos algo?” De fato, até hoje, moradores esperam indenização e ainda não tiveram suas casas reconstruídas. Projetos de recuperação do Rio Doce andam parados.
Há tanta lama nas ruas.
O fato é que ninguém nunca foi responsabilizado ou preso após a morte de 19 pessoas, e um rio, engolidos por lama. No sábado, a Vale disse que vai garantir R$ 1 bilhão para medidas emergenciais em Brumadinho. Já o Ibama multou a mineradora em R$ 250 milhões. E o procurador-geral de MG pediu bloqueio de R$ 5 bilhões da empresa.
Essa mina é loka.
A mina que rompeu era investigada desde o ano passado pelo MP. Mas o Brasil é complicado. Em 2017, apenas 3% das barragens no país foram vistoriadas pelo órgão de fiscalização. Em 2016, o Senado engavetou um projeto que poderia evitar ‘tragédias anunciadas’. Mês passado, numa tensa reunião pela licença ambiental, o risco de rompimento chegou a ser citado pelo Ibama, mas foi ignorado.
Não esqueça Brumadinho.
Já são 30 mortos. E as histórias vão aparecendo. Um funcionário havia sido chamado na folga de última hora; uma pousada que era um refúgio frequentado por artistas já não existe mais; já uma jovem diz que que o celular do pai ainda toca e ele deve estar ilhado, mas reclama da falta de interesse das autoridades. São mais de 150 desparecidos. As buscas continuam.

ESPRESSO IMPORTADO
Reality Check
A notícia.
Após 35 dias de shutdown – a mais longa paralisação da história dos EUA –, enfim Trump aceitou reabrir o governo – mas por pouco tempo.
Moendo os grãos.
Quando até o aeroporto de La Guardia, em NYC, diminuiu o número de decolagens por falta de pessoal parecia que era hora de dar o braço a torcer. Trump assinou a nova conta de gastos, sem dinheiro pro seu tal muro, mas que só garante financiamento pra agências federais por 3 semanas. Ou seja, até 10 de fevereiro, continua-se discutindo o que fazer na fronteira do México.
Who wants to make a deal?
O plano aprovado é o mesmo que Trump já havia rejeitado mês passado. Enquanto ele diz que só aprovará um orçamento com US$ 5.7 bilhões pra seu muro, os democratas, que agora controlam a Câmara, dizem que bilhões podem e devem ser usados na segurança das fronteiras, mas com tecnologia, drones, pessoal, e não com um muro, ao qual chamam de ‘ineficiente’.
Fake crisis.
Trump continua dizendo que há uma ‘crise humanitária’ na fronteira. Mas nas últimas duas décadas, vem caindo o número de pessoas que são pegos na divisa com o México. O número de imigrantes tentando atravessar a fronteira na era Trump é menor do que nos governos Obama, Bush filho, Clinton, e Bush pai. O ano de 2017 teve a menor taxa de imigrantes apreendidos desde 1971.
Enquanto isso.
Foi preso Roger Stone, o mais antigo estrategista político de Trump, que super ajudou na campanha presidencial. Ele foi preso por ‘falso testemunho’ e por ‘influenciar testemunhas’ – mas, ao pagar fiança de US$ 250 mil, já foi solto. Stone já é a 34a pessoa indiciada pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga a campanha de Trump e um suposto conluio com os russos.
ESPRESSO SHOTS
Patente alta, bigode grosso.
Começou a ruir no topo da hierarquia militar o apoio a Nicolás Maduro – a única coisa que o mantém de pé. Ontem ele perdeu um coronel que trocou de lado e jurou lealdade ao autodeclarado presidente Juan Guaidó. No final de semana, Inglaterra, Alemanha, e França disseram que Maduro tem oitos dias para convocar novas eleições ou então eles vão reconhecer Guaidó. Ui.
Meu passado me condena.
‘A Europa está se partindo’, em meio ao ‘crescente populismo’, um desafio não visto ‘desde os anos 1930s’, é o que afirmam intelectuais de 21 países, incluindo ganhadores do Nobel. Medo. Em tempo, ontem foi ‘Dia da Lembrança do Holocausto’, um momento de se debruçar sobre um dos capítulo mais escuros da humanidade. E eis que surgiu um raro livro de Hitler com planos de um holocausto norte-americano.
Rainha né, mores.
O poder da Rainha na Inglaterra é simbólico, ela é soberana, representes o Estado, mas quem cuida do governo é o primeiro-ministro. Ainda assim, Elizabeth tentou dar seu recadinho sobre o Brexit, de forma velada, aos políticos britânicos: “à procura de respostas na era moderna, é preciso respeitar pontos de vista diferentes, e achar um denominador em comum”. Amanhã o parlamento vota de novo no Brexit.
No time for losers.
O número 1 do mundo, o sérvio Novak Djokovic, acabou com o número 2 do mundo, o espanhol Rafael Nadal, ontem na final do Austrália Open e se tornou o primeiro homem com 7 títulos na história do campeonato. Djokovic já tem 15 Grand Slams (os 4 principais torneios – Austrália, Wimbledon, Roland Garros, US).
Seu balançado é mais que um poema.
Para terminar, a nova série brasileira da Netflix que estreia esse ano.
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Que você tenha uma segunda-feira produtiva Até amanhã.