
“Cortina do carinho.” – um britânico criou um dispositivo para poder abraçar a avó. Chega de saudade.

Terra Sem Lei
A notícia.
Em plena pandemia, a Câmara vota hoje nova lei que pode legalizar áreas desmatadas e mudar o mapa da Amazônia.
Moendo os grãos.
É a chamada ‘MP da Grilagem’, assinada por Bolsonaro em dezembro passado. MPs (Medidas Provisórias) são decretos presidenciais que precisam ser depois validados pelo Congresso, se não perdem a validade. É o que aconteceu com a MP da Grilagem, que perdeu a validade ontem. Por isso mesmo, a Câmara criou um projeto de lei para substituir a polêmica MP.
Mas o que é grilagem, gente?
É o ato ilegal de ocupar terras públicas, explorá-las, desmatá-las, criar gado, e chamar de sua. Simples assim. A atividade favorita de grileiros é a pecuária e há também o hábito de fraudar documentos para vender tais terras. De acordo com o Ministério da Agricultura, áreas assim somam 57 milhões de hectares – ou seja, uma França.
Agro é pop.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz que o projeto de lei que será votado hoje é diferente da MP da Grilagem. O Ministério Público não concorda e diz que o texto dos deputados permitirá diversos benefícios aos grileiros, além de incentivar o desmatamento ilegal. A grilagem é atualmente a maior causa de desmatamento.
King of the jungle.
Desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento acelerou e subiu 30% no ano pasado – o maior aumento em mais de 20 anos. Após um esforço governamental de sete anos para diminuir o desmate, a coisa se complicou em 2013, em meio à recessão e à crise política. Agora Bolsonaro quer legalizar o garimpo, a grilagem, e abrir reservas indígenas para a exploração.
Enquanto isso.
No Senado, foi aprovado o adiamento do Enem. Apenas o senador Flávio Bolsonaro votou contra.
Apesar de Você
A notícia.
Todos os 193 países-membros da OMS disseram ‘sim’ pra que futuras vacinas contra a covid não sejam patenteadas – menos os EUA.
Moendo os grãos.
No segundo e último dia do encontrinho anual da Organização Mundial de Saúde, os países membros chegaram a um acordo para quebrar as patentes de futuros remédios e vacinas contra o coronavírus. Esse era um pedido dos países mais pobres, que pediam acesso global igualitário. Mas o mundo esqueceu de combinar com os EUA. O país bloqueou a resolução.
Under pressure.
Entre as resoluções aprovadas ontem, a galera concordou também em lançar uma investigação “imparcial e independente” sobre a resposta da própria organização contra a pandemia. Os EUA é um dos países mais críticos da OMS e anteontem Trump pediu “reformas em 30 dias” ou cortará permanentemente os recursos, que já estão suspensos, para a OMS.

É MIL!
Pela primeira vez, o Brasil regisrotu mais de mil mortos por covid em um único dia. Enquanto isso, o futuro ministro da Saúde, que ainda nem foi escolhido, assumirá já com 9 assessores militares em postos-chaves. Ontem o ministro provisório nomeou os militares, causando desconfiança no corpo técnico da pasta. Em tempo, o governo começa amanhã campanha com médicos defensores da cloroquina – medicamento ainda sem comprovação científica.
Staying alive.
Em março, quando os países europeus já haviam fechado escolas e comércio, um país se manteve aberto: a Suécia. Os números agora mostram que a pandemia no país foi mais letal que nos vizinhos. Ainda que tenha evitado os números devastadores da Itália, Espanha e Reino Unido, o aumento de mortes no país foi de 27%, enquanto as mortes na Noruega e Finlândia – que fizeram lockdown – aumentaram menos de 10%. Detalhe: a Suécia enfrentará a pior recessão desde a 2a Guerra Mundial – mesmo mantendo comércio aberto.
Entre ramos e ramagens.
O indicado à chefia da PF que teve a nomeação suspensa pelo Supremo, Alexandre Ramagem, era justamente o delegado à frente da Operação Cadeia Velha, que deu origem à Furna da Onça – investigação que focou em diversos deputados estaduais e teria sido vazada ao então deputado Flávio Bolsonaro. Na época, Flávio demitiu seu assessor Fabrício Queiroz. Por sinal, Flávio repassou meio milhão de reais do fundo público partidário a um advogado que é investigado no caso Queiroz.
Bala achada.
Mais um: garoto negro de 14 anos foi morto dentro de casa durante operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, RJ. Após os disparos, o corpo ainda foi retirado de casa por dois policias e a família só o encontrou no dia seguinte já no IML. Mortes por policiais aumentaram 174% nos últimos 4 anos; 80% dos mortos são negros.
Pânico.
Terminando… o clássico “O Grito” (1910) precisa de distanciamento social. Cientistas chegaram à conclusão de que a tinta usada por Edvard Munch se dissolve em meio à umidade e à respiração do público.
Flores pra vocês.
Para terminar, The Big Flower Fight. Em meio às séries de costura e cerâmica, só faltava competição com flores.
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Uma ótima quarta. Até amanhã.
