ESPRESSOU-SE
“Comecei com um pênis, mas queria algo original.” – o corredor que faz arte com os pés e um mapa. Desenhar Frida Kahlo levou uma corridinha de 45 km. Run, Lenny, run.
ESPRESSO NACIONAL
Digital War
A notícia.
A trama dos ararahackers se intensifica, a polarização volta a níveis de eleição, e inicia-se uma guerra pelas mensagens da Lava Jato.
Moendo os grãos.
O ministro Sérgio Moro, juízes, o Supremo, advogados de defesa, e partidos políticos, todos disputam as conversas que foram interceptadas pelos 4 hackers presos semana passada em Araraquara, interior de SP, na Operação Spoofing. Quando o Intercept começou os vazamentos, muitos condenados da Lava Jato, como o ex-presidente Lula, entenderam que algo revelado ali poderia pôr em cheque as decisões do ex-juiz Moro.
Online / offline.
O Supremo concorda que mesmo provas ilícitas podem ser usadas por advogados. Mas o jornalista Glenn Greenwald nunca entregou os arquivos para o Judiciário. Tudo mudou quando o juiz Valisney de Souza Oliveira autorizou a prisão dos acusados. Agora a dúvida é se e quando advogados da Lava Jato poderão usar as mensagens sob a guarda de Valiseny. Moro já deixou claro à PF a intenção de destruí-las, o que só poderia rolar sob medida judicial.
Cada um no seu quadrado.
A própria PF anda incomodada com o protagonismo do ministro da Justiça. Para os policias, Moro fere a autonomia conquistada pela instituição nos últimos 30 anos. O delegado-chefe da PF sugeriu “maior distanciamento”. E tão importante quanto as medidas legais contra os hackers é a investigação e revelação das informações conseguidas por eles – se estas forem de interesse público.
Minha agenda de contatinhos.
A PF busca agora ‘braços financeiros’ dos hackers. No depoimento tornado público, Walter Delgati diz que não recebeu dinheiro; que não editou ou adulterou os diálogos do Telegram, e que a ex-deputada Manuela d’Ávila fez a ponte com Glenn Greenwald. Delgati diz ter conseguido o número de Manuela, após invadir a lista de contatos do Telegram do ex-governador do Rio, Pezão.
Enquanto isso.
Em uma coletiva, Bolsonaro afirmou que Glenn “talvez pegue uma cana aqui” e que o jornalista é “malandro” por se casar com outro homem e adotar crianças para ficar no Brasil. Glenn respondeu que “Bolsonaro ainda não é ditador” e não pode ordenar a prisão de pessoas. A OEA (Organização dos Estados Americanos) disse ontem que as falas do presidente ferem a liberdade de imprensa.
Isso Aqui, ô ô. É Um Pouquinho de Brasil, iá iá
A notícia.
O ministro Sérgio Moro publicou na sexta-feira as mais autoritárias regras sobre direitos civis no Brasil desde 1968 – auge da ditadura.
Moendo os grãos.
A nova medida assinada pelo ministro da Justiça de Bolsonaro, a portaria 666/2019, já está valendo e prevê a deportação imediata de estrangeiros considerados “perigosos”. Na prática, ficam restringidos os direitos civis e políticos de todos os gringos em solo brasileiro, já que com a nova regra, o governo pode expulsar sem o devido processo legal estrangeiros suspeitos de envolvimento em diferentes crimes.
Qual foi a reação?
Especialistas em imigração e casos de deportação e extradição criticaram a portaria 666 de Moro. Para eles, a decisão é “uma porta aberta para arbitrariedade” e atenta contra o direito de defesa.
Índio Fazer Barulho
A notícia.
Garimpeiros invadiram uma reserva indígena, mataram um cacique, e tomaram conta da aldeia no Amapá.
Moendo os grãos.
Um dia depois da divulgação de relatos sobre ataques contra índios da tribo Waiãpi, ontem a PF e o Bope (Batalhão de Operações Especiais) chegaram na reserva dos Waiãpi, próxima a cidade de Pedra Branca do Amapari, a 300 km da capital Macapá. De acordo com um memorando da Funai, a invasão nessas terras indígenas começou na terça, dia 23, quando foi morto o cacique Emyra.
Apaga a fumaça do revólver, da pistola.
Primeiramente, a Funai – agência de proteção aos índios – disse que a morte do cacique teria sido um afogamento, mas no sábado, o órgão mudou a versão e confirmou o assassinato a facadas pelos garimpeiros, que continuam acampados por lá. A polícia, no entanto, não sabe dizer em quantos eles estão e estima que são cerca de 15 invasores fortemente armados; já os índios falam em 50.
Cara-pálida.
A tensão na floresta aumentou desde a eleição do presidente Bolsonaro, que promete acabar com reservas e abrir terras indígenas para a mineração. Assim que assumiu em janeiro, uma medida provisória chegou a transferir a demarcação de terras indígenas da Funai para o Ministério da Agricultura, mas no mês passado, o Supremo derrubou o decreto.
Já que estamos em terreno indígena.
Bolsonaro disse no sábado que ao nomear o filho Eduardo para a embaixada nos EUA, ele espera conseguir parcerias para explorar minerais em terras indígenas. Tendi.
ESPRESSO SHOTS
Desculpe o auê.
Em protestos por eleições livres, mais de 1300 pessoas foram presas em Moscouno sábado. As manifestações, que não tinham autorização para acontecer, exigiam a entrada de candidatos da oposição nas eleições locais. Houve confusão também em Hong Kong, onde milhares de pessoas voltaram a protestar ontem pelo terceiro dia seguido – isso após semanas de manifestações contra o governo central da China.
Boca fechada não entra mosca.
O que é um fim de semana sem polêmicas a la Bolsonaro? O presidente sugeriu o fim das aulas de trânsito para tirar carteira. Sobre a ‘questão ambiental’ em Angra dos Reis – ele quer transformar a região numa ‘Cancun’ –, disse que meio-ambiente só interessa “aos veganos”; e defendeu os parentes que usaram helicóptero da FAB. Já a ministra Damares quer uma fábrica de calcinhas para solucionar o estupro infantil no Pará. A culpa, claro, é da vítima sem calcinha.
Da Lapa a Lisboa.
Marielle Franco, que teria feito 40 anos no sábado, vai virar nome de rua na Lapa, Rio. O subprefeito do Centro anunciou a cerimônia para esta quinta-feira. Apesar de ser a cidade-natal da parlamentar assassinada, o Rio não foi o primeiro local a homenageá-la. Paris rebatizou um jardim com o seu nome e, no final de semana, Lisboa anunciou uma Rua Marielle Franco.
Trick or treat.
Terminando… esqueça 31 de outubro; a petição por uma nova data para o Halloween já conta com 100 mil assinaturas.
Primavera-verão 2020.
Para terminar, ar-condicionado vestível. A Sony lançará blusas com ar-condicionado interno.
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Uma segunda-feira produtiva. Até amanhã.