ESPRESSOU-SE
“Cria oportunidades.” – a Mongólia, que não tem saída pro mar, entrou pra liga internacional de surf. O país usa tanques indoor. Viver a vida sobre as ondas. Altas ondas.
ESPRESSO NACIONAL
Marcha Soldado
A notícia.
Rio, 2019: um carro com uma família é fuzilado; um homem é morto; 10 militares são presos.
Moendo os grãos.
Dez soldados brasileiros foram presos ontem em flagrante após dispararem 80 tiros contra o Ford Ka de uma família que ia pra um chá de bebê na Zona Norte do Rio. Não uma, nem duas, nem 10, mas 80 vezes. Morreu na hora o músico Evaldo Rosa, de 46 anos, que é negro. No carro ainda estava a esposa, o sogro, uma sobrinha de 13 anos, e o filho de sete anos que assistiu ao pai morrer.
Longe da Zona Sul.
Os militares disseram que o fuzilamento aconteceu “por engano”. No relatório falaram em revidar “injusta agressão”. O Exército diz que eles foram presos por “inconsistência dos fatos reportados”. Todos serão agora julgados pela Justiça Militar, e não mais pela Justiça comum, de acordo com nova lei sancionada por Temer em 2017.
Another One Bites The Dust
A notícia.
Caiu o segundo ministro do governo Bolsonaro.
Moendo os grãos.
O ministro da Educação, Ricardo Vélez, juntou suas coisas e entregou ontem a salinha na Esplanada dos Ministérios. Desde que assumiu, o colombiano naturalizado brasileiro, de 75 anos, enfrentava uma polêmica atrás da outra – veja a crise em 9 tuítes –, de gravar alunos cantando o hino à criação de um conselho pra vigiar as questões do ENEM à revisão do golpe de 64 em livros didáticos.
MEC of Thrones.
Em meio às polêmicas, Vélez sofria um racha interno no ministério – a cada semana, pessoas ligadas a ele eram demitidas ou rebaixadas. O ex-ministro havia sido indicado pelo ‘guru’ Olavo de Carvalho. Mas nem todos no governo são fãs de Olavo, e ficou intenso o bafafá no MEC entre ‘olavistas’ e a galera mais pragmática – como os próprios militares.
Seis por meia dúzia?
Quem assume agora é Abraham Weintrab, que vem do mercado financeiro, e já trabalhava no governo Bolsonaro, ele era o número dois na Casa Civil. Trocar o aloprado ministro da Educação era consenso entre gregos e troianos, mas o que esperar de Weintrab? Ele é tão ‘olavista’ quanto Vélez, mas se diz “liberal” e “democrata “. A ver.
Escolinha do professor Bolsonaro.
Vélez deixou a pasta parada e o novo ministro assume com um super dever de casa, como estes desafios urgentes.
ESPRESSO IMPORTADO
Shalom
A notícia.
Moendo os grãos.
As pesquisas apontam que Benjamin Netanyahu, seu partido Likud, e a coalizão formada com outros partidos menores de centro-direita e extrema-direita, têm chances de fazer maioria nas eleições gerais do país, o que garantiria a Bibi, como é conhecido o líder israelense, seu quarto mandato consecutivo. Há 10 anos, ele influencia toda a política do Oriente Médio.
Rei Bibi.
O partido do centrista Benjamin Gantz tem menos chances de vencer, mas será apertado. Fato é que são muitos os desafios da vizinhança. O Irã tá no meio do foco. Netanyahu foi quem mais apoiou Trump a rasgar o acordo nuclear costurado por Obama e outras 5 potências europeias. Netanyahu, um populista, sempre gostou de demostrar força, e sem acordo, a relação tende a ser ainda mais tensa.
Make Israel great again.
Além dos iranianos, há os palestinos. Netanyahu nunca se bicou com Obama, que dizia que a ‘solução dois-estados’ é a única solução possível para a briga árabe-israelense. Essa semana, Bibi disse que se reeleito, anexaria territórios palestinos na Cisjordânia. Uma promessa perigosa. Nessa pegada, Trump já reconheceu duas reivindicações ilegais de Israel: Jerusalém e as Colinas de Golã. Vem mais por aí?
ESPRESSO SHOTS
I don’t care. I love it.
Pela primeira vez, os EUA classificaram o Exército Militar de outra nação como ‘grupo terrorista’. No caso, o Exército do Irã, uma das principais potências do Oriente Médio. Os iranianos revidaram classificando as tropas americanas na região também de ‘organizações terroristas’. A tensão entre Washington e Teerã só aumenta desde que Trump abandonou o acordo nuclear internacional com o país.
Spring in D.C.
Quem está nos EUA é Mourão, que se encontrou ontem com o colega americano Mike Pence. Os dois vice-presidentes falaram muito sobre Venezuela. Pence quis saber a opinião do brasileiro sobre a crise no vizinho, ele repetiu que intervenção militar não é a solução. Pence quer que Mourão use sua experiência em Caracas pra influenciar militares venezuelanos a romperem com o chavismo.
Em meio a leões, tigrões e tigresas.
Hoje o deputado responsável pelo relatório da reforma da Previdência vai ler o seu parecer na comissão – o primeiro passo pra que a reforma comece a tramitar de fato no Congresso. Ontem Paulo Guedes disse não ter “bom temperamento” pra ser o articulador político. E Bolsonaro, em entrevista a uma rádio, agradeceu ao filho Carlos pela vitória nas eleições e disse que ele merece ser ministro.
Cariocas não gostam de dias nublados.
O Rio está em estágio de crise, mais uma vez, por causa de fortes chuvas que provocaram o caos na segunda maior cidade do país. Avenidas alagadas, carros abandonados, árvores derrubadas. Temporais assim se repetem e a cidade não aprende a se prevenir. Mais um trecho da Ciclovia Tim Maia desabou.
Million dolar baby.
Terminando… a lista das 10 cidades com o maior número de milionários. São Paulo agora foi incluída.
Netflix and chill with Beychella.
Para terminar, Beyoncé.
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Uma terça produtiva. Até amanhã.