
“Fertiliza e ajuda a manter as pessoas fora.” – cidade na Suécia usou toneladas de estrume para evitar aglomerações em um parque. Smelly park, smelly park.

O Vírus E O Verme
A notícia.
Bolsonaro voltou a participar de atos pró-ditadura. No sábado, Moro prestou depoimento por 8hrs e foi chamado de Judas pelo presidente.
Moendo os grãos.
Se Moro é “Judas”, isso faz do presidente Jesus Cristo? Bolsonaro já chegou a dizer que “é Messias, mas não faz milagres”. O fato é que, em Curitiba, o ex-ministro falou à Polícia Federal no processo que investigas as acusações contra o seu ex-chefe. O depoimento virou a tarde e entrou pela noite, e Moro entregou novas provas e gravações aos policiais.
Não era amor, era cilada.
Eduardo Bolsonaro tuitou que “Moro não era ministro, era espião.” Após ser chamado de Judas, o ex-juiz da Lava Jato respondeu dizendo que, “há lealdes maiores do que as pessoais”. Durante o depoimento, peritos da PF vasculharam o celular de Moro e conseguiram inclusive resgatar mensagens antigas entre Bolsonaro e o ex-ministro.
DEMOcracia.
Depois do susto do dia 19 de abril, dia do Exército, quando Bolsonaro deixou o decoro de lado e participou de protestos que pediam intervenção militar, fechamento do Congresso e do Supremo, ontem ele voltou a fazer a mesmíssima coisa, mas dessa vez, em frente ao Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo, e dessa vez contra um novo personagem: Moro.
Patente alta, bigode grosso.
No novo protesto antidemocrático, o presidente voltou a esticar ainda mais a corda e, da rampa do palácio, em meio às faixas de “intervenção militar com Bolsonaro” e gritos de “Moro lixo” (além de bandeiras de Israel e dos EUA), ele disse que “acabou a paciência”, chegou “no limite” e não vai mais “admitir interferência” em seu governo – whatever that means. Mas a frase nevrálgica foi essa: “As Forças Armadas estão do nosso lado”.
Estão?
Assim como a PF, o Ministério Público e tantas outras instituições que compões a democracia brasileira, o Exército é uma instituição de Estado, e não de governo. Os governos passam, e o Exército permanece comprometido com o Brasil e não especificamente com um governante. O juiz supremo Luís Roberto Barroso cobrou uma posição oficial do Exército.
Brasil não vai virar Venezuela?
O roteiro de Bolsonaro é parecedíssimo com o de Chavez, que também criava um clima de mobilização permanente em meio a inimigos da pátria e guerras culturais contra universidades, o judiciário, e ainda a militarização da sociedade. Por lá, o Exército, de fato, abriu mão da neutralidade e virou fiador do governo, por aqui, generais disseram ontem que Bolsonaro fez uso do prestígio das Forças Armadas.
Bolsovírus.
Houve ainda agressão a jornalistas – ontem, por sinal, foi dia da liberdade de imprensa. Bolsonaristas chutaram e esmurraram repórteres do Estadão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse, “ontem foram enfermeiros, hoje jornalistas, amanhã quem se opõe a visão de mundo deles”. O próprio vice Mourão afirmou, “covardia. Agredir quem faz o seu trabalho não é parte de minha cultura.”
Enquanto isso…
Mortes em progresso.
O Brasil ultrapassou os 100 mil casos confirmados de Covid-19. O total de óbitos já passa de 7 mil e a taxa de letalidade subiu para 6,9%. Em tempo, o Maranhão é o primeiro estado a adotar o ‘lockdown’ – quarentena total e obrigatória.
Made in China
A notícia.
Nas eleições presidenciais dos EUA, a China é o novo México.
Moendo os grãos.
Sem apresentar provas, o presidente americano lançou mão de uma teoria conspiratória de que o novo coronavírus teria sido engendrado em laboratório chinês, mas não especificou detalhes. A declaração de Trump foi feita lodo depois que o diretor da Inteligência americana rejeitou a ideia: “concordamos com o consenso científico de que o vírus não foi feito pelo homem ou modificado geneticamente.”
Negócio da China.
É um fato que laboratórios chineses fizeram dezenas de testes em morcegos na ultima década, e são mais de 40 estudos publicados na tentativa de documentar a conexão entre os bichos e os surtos recentes (como SARs) na China, no entanto, não há evidência de que o novo vírus saiu de um laboratório por acidente – ou propositalmente.
Nada disso interessa.
Partindo da lógica trumpista, como analisou Oliver Stuenkel, professor da FGV, Trump acusará três atores pela crise: a imprensa como sempre, os governadores por adotaram medidas de isolamento, e a China por mentir sobre o vírus (ou como se vê, por deliberadamente criá-lo em laboratório). Trump já acusa o rival Joe Biden de ser amigo do Partido Comunista chinês.
Muralha da China.
Como faz com os adversários, ele até já criou um apelido para Biden, que se tornou #BeijingBiden (ou #BidenPequim). E assim como o México pagaria pelo muro na fronteira, Trump já começa a construir a promessa de que os chineses pagarão reparações pelo vírus. Em suma, a batalha pela China é o que vai definir as eleições nesse ano.
Odiar é preciso.
Pesquisa da Pew Research mostra que americanos têm visão cada vez mais negativa dos chineses.

OpeNope.
Trump enfim saiu da Casa Branca, após um mês. Na sexta, o presidente viajou pra uma outra residência presidencial, a de Campa David. A partir de hoje, nos EUA, já serão 32 estados reabertos parcialmente – veja estado por estado. Mas as mortes continuam aumentando. Enquanto isso, em novembro tem eleição. No final de semana, Joe Biden negou as novas acusações de assédio sexual de uma ex-assessora no Senado, Tara Reade, em 1993.
Você é influenciável.
Em tempos de pandemia, nasce um novo formato de influência digital? A fadiga de conteúdo já é problema entre influencers e há ainda muito mais gente (e celebridades) online gerando conteúdo – e competição. Não é hora de esbanjar e influenciadores agora tentam se adaptar a um público que quer mais ‘pé no chão’. No Brasil, o caso Pugliesi mostrou o poder do público.
Nesse novo mundo, entra em cena a linguagem mais caótica das lives e do TikTok – abraçada pela geração Z –, onde humor e personalidade são bem mais importantes do que a curadoria impecável de um feed com fotos perfeitinhas; é a ‘estética Instagram’ que começa a ficar pra trás.
Bola na trave.
O futebol brasileiro é a nova arma de relaxamento da quarentena. Bolsonaro voltou a defender o retorno dos jogos dizendo que a chance de jogadores morrerem é “infinitamente pequena”. Falando em futebol, e se Felipão tivesse dito ‘e daí?’ no 7 a 1? Bom, já nos EUA, o infectologista da Casa Branca disse que ainda deve levar um ano até que os esportes voltem ao normal.
Lon-eel-ly.
Terminando… cuidado com o ‘coronavórcio’. Em Tóquio, há alternativas mais baratas como aluguel de curto prazo para quem precisa dar um tempo. Ainda em Tóquio, um aquário realiza vídeo-chamada com as enguias para não esquecerem que humanos existem.
Fashion os olhos.
Para terminar, crocs são ‘cool’ – de novo. Em tempos de quarentena, o polêmico calçado votou a brilhar.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e crocs pra espresso@espressonoticia.com. br
Uma segundinha proveitosa, na medida do possível. Até amanhã.
