
“Quem ganharia? Not my people.” – Rihanna na Vogue diz que, de fato, recusou o convite pra cantar no Super Bowl por causa da expulsão do jogador negro que se ajoelhou no hino. Unapologetic.

Que Deus Deu, Que Deus Dá
A notícia.
Neste domingo, Irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil.
Moendo os grãos.
A festa vai ser grande pra acompanhar a canonização da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, também conhecida como o Anjo Bom da Bahia. Devotos do Brasil e do exterior estão em contagem regressiva há tempos. A comitiva brasileira que chega hoje a Itália é liderada pelo vice Mourão, que está acompanhado pelos presidentes da Câmara, do Senado, do Supremo, além de 19 parlamentares.
Cadê o presidente?
Mourão representará o Brasil no Vaticano, já que Bolsonaro preferiu não ir, pois a primeira-dama Michelle é evangélica. O governador da Bahia, Rui Costa, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, não estão na comitiva oficial. ACM disse que pagará do próprio bolso.
Quem foi Irmã Dulce?
Maria Rita de Santos (1914-1992) nasceu em Salvador e sempre se importou com os mais pobres entre os mais pobres. Ainda adolescente, já enchia a casa dos pais acolhendo doentes. Realizou várias obras filantrópicas e fundou, a partir de um galinheiro, as Obras Sociais Irmã Dulce, que oferecem educação, arte, além do maior complexo de saúde 100% pública do país. Em 1988, foi indicada ao Nobel da Paz.
Xote dos milagres.
Para se tornar santa, foram necessários alguns milagres. O primeiro aceito pela Igreja foi em 2001, quando uma mulher se curou. O segundo foi em 2014, quando um homem voltou a enxergar após 14 anos de cegueira. Para lidar com políticos, não era preciso milagre. Sempre bem-humorada, a santa transitava bem entre todas as autoridades baianas ou federais. Ainda assim, seu principal médico, que tinha ligação com o Partido Comunista, foi preso duas vezes durante a ditadura. Veja algumas curiosidades sobre a santa baiana.

Mais que Amigos, Friends?
A notícia.
Bolsonaro levou uma rasteira de Trump e os EUA rejeitaram a entrada do Brasil no clube dos países ricos.
Moendo os grãos.
Em uma carta endereçada ao secretário-geral da OCDE (Organização de Desenvolvimento Econômica), que reúne as economias mais ricas do mundo, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, desprezou o membership do Brasil. Isso após apoios públicos e tal de Trump. Pra deixar as coisas ainda mais arrasadoras, o governo americano disse apoiar a entrada de Argentina (mesmo nessa crise toda) e Romênia no clubinho.
Don’t cry for me, Bolsonaro.
É uma derrota e tanto para o governo brasileiro, que propagandeou a ‘benção’ dos EUA para entrar no OCDE como o principal trunfo da visita oficial a Washington, em março. O governo chegou a dizer que assim nos tornaríamos um país desenvolvido. Em troca, o Brasil abriu mão de vantagens tarifárias. E ainda liberou vistos para americanos e a base de Alcântara para lançamento de satélites dos EUA.
E viveram felizes para sempre.
Após a repercussão da carta, divulgada pela Bloomberg, os EUA disseram que continuam apoiando o Brasil, mas recusando-se a estipular prazo. Já o governo brasileiro tentou diminuir o assunto, admitiu frustrações, mas mantém a fé no apoio americano. Na volta, a gente entra na OCDE. Já o secretário-geral da OCDE disse que o Brasil precisa de reformas, mas sem abandonar responsabilidade ambiental e social. Acho que entendi.
Runaway from me baby.
Dois assessores do advogado de Trump, Rudy Giuliani, foram presos ontem. Giuliani se tornou peça central no processo de impeachment de Trump. Foi Giuliani, ex-prefeito de NYC, quem o presidente americano mandou por duas vezes a Ucrânia para pressionar o país a investigar Joe Biden. Os dois presos têm cidadania americana, mas nasceram na Ucrânia.
Abra olhos.
A pressão de ambientalistas fez efeito, e não houve ofertas das petrolíferas para explorar o petróleo próximo ao santuário de Abrolhos, no sul da Bahia; o governo conseguiu quase R$ 9 bilhões com o leilão de outros blocos. Falando em petróleo… a Venezuela rebateu o ministro Salles e disse que o óleo encontrado em praias do Nordeste não é seu e que Salles quer fomentar as sanções dos EUA contra o país.
Heal the world.
O ganhador do 100o Nobel da Paz será conhecido em poucas horas. Greta Thunberg, a ativista sueca de 16 anos é uma das favoritas, mas o líder indígena Raoni – atacado por Bolsonaro no discurso na ONU –também está no páreo. Ao lado de Greta e Raoni, há ainda o primeiro-ministro etíope e a primeira-ministra da Nova Zelândia, entre os favoritos. São mais de 300 candidatos.
Falando em Nobel.
A escritora polonesa, Olga Tokarzzuk, e o escritor austríaco, Peter Handke, ganharam ontem o Nobel de Literatura de 2018 e 2019 – com uma pitada de polêmica, lógico. Os dois têm estilos literários bem diferentes, mas ambos escrevem sobre memória e sobre terras contestadas. Olga é amada por todos, exceto a extrema-direita, já Handke, que tem raízes na extinta Iugoslávia, não é admirado por todos, e já defendeu um infame sérvio acusado de genocídio.
Wine not?
O Brasil acaba de ganhar mais uma região produtora de vinhos. Um hotel na Serra Paulista, em Campos do Jordão, plantou as primeiras mudas de Cabernet, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, e Riesling. A primeira safra sai em menos de 2 anos.
Comer, rezar, comer mais.
Para terminar, A Casa do Porco desbancou o D.O.M e é o melhor restaurante do Brasil no 50 Best da América Latina.
