ESPRESSOU-SE
“Ouvimos os tweets brutais.” – o KFC trocou sua receita de batata frita – agora mais crocante – depois do tweet dessa garota. Minha voz conta! Ou marketing?

ESPRESSO IMPORTADO
Tudo (Meio) Azul
A notícia.
Um país cada vez mais dividido: o partido de Trump mantém o Senado, mas o partido de Obama retoma a Câmara. Game on.
Moendo os grãos.
Como já deve ter ouvido, ontem foi dia de eleição nos EUA – na verdade, um referendo sobre Trump. As eleições legislativas, chamadas ‘mid-terms’ (eleição de meio do mandato), renovaram não só toda a Câmara, como um terço do Senado, além da maioria dos 50 governadores. E, claro, servem de termômetro da presidência Trump, que saiu mais tristinho do que entrou.
Azul da cor do mar.
Na Câmara, das 435 cadeiras em jogo, os democratas precisavam virar 24 cadeiras de vermelho (cor do Partido Republicano) para azul (cor dos progressistas). Dito e feito. A esquerda americana agora volta a controlar a Câmara pela primeira vez desde 2010. E deixará os próximos dois anos de Trump bem mais difícil. Sorry not sorry.
Que tiro pela culatra foi esse?
Muitos analistas atribuem essa derrota de Trump à como ele tratou o problema da imigração. Sim, um ótimo tema para se explorar, mas ele ignorou os problemas reais e apostou todas as fichas na fábula de ‘bárbaros invasores’. Mulheres classe-média foram as mais incomodadas com o discurso. Outras pautas foram sistema de saúde; guerra comercial; e o Supremo.
Já No Senado
Não deu onda – azul.
O Partido Democrata precisava capturar duas cadeiras dos conservadores, mas terminou foi que perdeu senadores. Com apenas parte do Senado em jogo, havia mais democratas do que republicanos disputando reeleição – e em estados que Trump venceu. Não deu. Entre as corridas que bombaram:
Texas.
Ted Cruz, que foi presidenciável republicano em 2016, ganhou com dificuldadezinhas de Beto O’Rourke, nova estrelinha dos democratas. Ele conseguiu tornar a corrida competitiva em um estado historicamente vermelho; Beyoncé chegou a apoiá-lo.
Tennessee.
Um estado tradicionalmente vermelho, que os democratas sonhavam em colorir de azul. Mas não rolou. A republicana venceu e se torna a primeira mulher senadora pelo estado.
Minnesota e Michigan.
Enviaram ao Congresso as primeiras muçulmanas. A palestina-americana Rashi Tlaib e a somali-americana Ilhan Omah fizeram história ontem e são agora as primeiras senadoras muçulmanas da história dos EUA.
New Jersey.
Um estado super azul, mas não foi tão fácil para o democrata conseguir a reeleição, já que enfrenta uma investigação por corrupção. Azul também na Virginia, onde Tim Kaine, que foi vice na chapa de Hillary, manteve a cadeira de senador.
Vamos Aos Governadores
Geórgia.
O estado se tornou uma das principais disputas entre governador: de um lado o republicano acusado de racismo e do outro a democrata, que pode se tornar primeira governadora negra da história do EUA; esperando resultados.
Colorado.
Foi eleito o primeiro governador assumidamente gay da história dos EUA; Jared Polis também foi o primeiro homossexual assumido a entrar na Câmara em 2008. Já o estado de Vermont pode fazer história ao eleger a primeira governadora trans; esperando resultados.
Idaho.
Uma democrata de 38 anos pode se tornar a primeira governadora indígena dos EUA, seus avôs foram chefes tribais; esperando resultados.
Flórida.
Aquele que poderia ter sido o primeiro governador negro dos floridians foi derrotado, por 49,9 a 48,9%, pelo candidato de Trump, Ron DeSantis. Na campanha, o republicano chegou a dizer que a Flórida não ‘faria macaquice’ elegendo seu rival.
ESPRESSO NACIONAL
O Bom Filho À Casa Retorna
A notícia.
Bolsonaro fez ontem a primeira visita à sua antiga casa como presidente eleito. Hoje tem a primeira reunião com o presidente Temer.
Moendo os grãos.
Com a proibição de jornalistas na sessão solene que celebrou os 30 anos da Constituição, Bolsonaro voltou ontem ao Congresso: “na democracia, a Constituição é o único norte”, disse ele. Já a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que estava ao seu lado, soltou umas indiretas e disse que “não basta reverenciá-la, é preciso cumpri-la”. Dodge ainda defendeu minorias e a imprensa.
Too cool for school.
E a agenda dos primeiros 100 dias do governo Bolsonaro vem se desenhando; o foco deve ser educação e a tal chamada ‘Escola Sem Partido’. Com forte influência da bancada evangélica no tema, o novo governo planeja a vigilância de professores pra “expurgar Paulo Freire”, além de um revisionismo sobre a ditadura militar.
Enquanto isso.
Para celebrar a nova presidência, o SBT retomou slogans da ditadura em vinheta, entre elas: “Basil, ame-o ou deixe-o”. Saudades, Silvinho?
Morobloco
A notícia.
Ontem o futuro ministro da Justiça e Segurança participou de sua primeira coletiva de imprensa.
Moendo os grãos.
Dr. Sérgio, que ainda não pediu exoneração do Judiciário, respondeu ontem às perguntas de jornalistas sobre seu papel no governo Bolsonaro. Semana passada, Moro aceitou o convite do presidente eleito e assumirá um superministério, já que Justiça e Segurança Pública serão integradas. Por sinal, ele também vai participar da equipe de transição.
Vamos lá.
O juiz-tornado-político disse que pretende replicar o modelo ‘Lava Jato’ no combate ao crime organizado; é contra criminalizar movimentos sociais – como o MST – (desejo de Bolsonaro); e disse que não vai passar a vida pautando-se por “uma fantasia de perseguição política” ao falar sobre o ex-presidente Lula, condenado por ele no ano passado. Você não me ensinou a te esquecer.
ESPRESSO SHOTS
Sound the alarm.
Anteontem a União Europeia chamou de volta seu embaixador na Tanzânia, isso depois que “tropas de vigilância” iniciaram uma busca por homossexuais. Assim como a maioria dos países por ali, a Tanzânia tem leis severas contra LGBTs: tipo pena de 30 anos pra homem que tiver sexo com outro homem. Os direitos humanos têm se deteriorado cada vez mais desde que o atual presidente foi eleito em 2015 – e a Tanzânia parece estar virando uma ditadura.
La vie en rose – SQN.
A França prendeu ontem seis suspeitos de armar um ataque contra o presidente Macron – todos são ligados ao movimento de extrema-direita no país. Os investigadores agora tentam entender a magnitude e os detalhes do plano. Um ano atrás, 10 pessoas ligadas à ultradireita francesa já haviam sido presas por planejar atentados contra Christophe Castner, que se tornaria ministro de Macron.
Oops, I think I did it again.
Para terminar, hoje a Samsung lançaria o primeiro celular dobrável do mundo – mas uma startup chinesa se adiantou e lançou antes. Ah, e este é o vaso sanitário de Bill Gates.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e celulares dobráveis pra espresso@espressonoticia.com. br
Tenha um super quarta-feira. Até amanhã.