
“Dj D-Sol.” – mais conhecido como David Solomon, CEO do Goldman Sachs, lançou o próprio selo musical Payback Records. O dinheiro será todo revertido. Hey, Mr Dj.
Brazil Is In The House
A notícia.
Bolsonaro estreia na Assembelia Geral da ONU com o discurso mais agressivo já feito por um presidente brasileiro.
Moendo os grãos.
Durante 31 minutos, ao invés de tranquilizar a comunidade internacional, e mostrar-se ‘aberto ao diálogo’, o presidente pagou pra ver e dobrou a aposta em ataques contra a imprensa; a ciência; universidades; ONGs; democracias europeias, como França; e o líder indígena de 89 anos, Raoni, indicado ao Nobel. Vamos aos principais pontos:
Comunas.
O presidente falou cinco vezes em “socialismo”, um de seus temas favoritos: “Vim apresentar o novo Brasil que ressurge após estar à beira do socialismo”. Começou com Cuba e o programa “Mais Médicos” do governo passado, e voltou aos anos 1960, ao fazer uma defesa do golpe de 64: “vencemos aquela guerra!”. Após Fidel Castro, chegou a vez da Venezuela.
Open for business.
Apenas 2 minutos foram dedicados à economia e então veio a floresta amazônica, “maior que toda a Europa Ocidental”, e “praticamente intocada”, de acordo com Bolsonaro. Ele negou as queimadas; o desmatamento; disse que é “falácia” tratar a Amazônia como “patrimônio da humanidade” e afirmou que “os ataques sensacionalistas” da mídia internacional despertaram o patriotismo. Foi a deixa para atacar a França, que já sugeriu sanções.
Índio fazer barulho.
Em meio às críticas ao que chamou de “ambientalismo radical” e “indigenismo ultrapassado”, ele leu uma carta de um grupo de ‘índios agricultores’ ao defender um novo modelo de ‘política indigenista’ e a a exploração de minerais, como ouro e nióbio, na Amazônia.
Cara-pálida.
Em seguida fez um aceno ao ministro da Justiça e Segurança: “presidentes socialistas que me antecederam desviaram bilhões comprando parte da mídia e do parlamento, foram julgados e punidos graças ao patriotismo de um juiz que é símbolo no meu país, Sérgio Moro.” Os dois têm tido alguns atritos.
A Bíblia olavista.
Finalizou com temas simbólicos do arsenal bolsonarista como “valores cristãos”, “família”, “tradição”, “a verdade”, “ideologia de gênero”, e a “promiscuidade das esquerdas”, que “invadiu a própria alma humana para dela expulsar Deus,” afirmou o presidente. “Esta ideologia sempre deixou rastro de morte, sou prova disso, fui esfaqueado por um militante de esquerda”.
Resumindo.
Ficou claro que o staff de carreira do Itamaraty foi deixado de lado. O discurso se tornou pessoal, revanchista, e cheio de temas que só mobilizam os bolsonaristas mais radicais. Em pleno palco da ONU, Bolsonaro, mais uma vez, falou para os seus e se afastou da prudência adotada pelo país ao longo de 74 anos de Nações Unidas.
Se Correr, o Bicho Pega
A notícia.
A Câmara dos EUA abriu processo de impeachment contra Trump.
Moendo os grãos.
Trump, o segundo a discursar na ONU, parecia cabisbaixo antes mesmo da bomba estourar. O tom afrontoso – foi na ONU que ele chamou Kim Jong-un de ‘rocket man’ –, tava morno, as coisas pareciam mais devagar. Mas as ideias estavam lá, ele disse que “o futuro pertence aos patriotas, não aos globalistas” – algo perigoso tendo em vista que os nacionalismos geraram duas guerras mundiais.
America first.
Nada de novo vindo de Trump, que mudou a tradição americana de 70 anos ao pregar “isolacionismo” e o desmanche de organizações como a própria ONU. Ele falou também do Irã – e os ataques à Arábia Saudita –, mas nada de ofensas polêmicas. Talvez já estivesse com a cabeça em Washington, onde era nocauteado.
Perdeu, playboy.
Há tempos, os democratas falam em impeachment, especialmente depois das eleições do ano passado, quando levaram a Câmara. Eles listam crimes, que vão de obstrução de Justiça (no caso de Mueller) aos conflitos de interesse entre os negócios da família Trump e governos estrangeiros. O fato é que a líder democrata, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, relutava em usar ferramenta tão traumática: impeachment.
Roleta ucraniana.
Pelosi dizia que ainda que ele merecesse o impeachment, seria melhor para os democratas, e para o país, derrotá-lo na eleição. Eis que surgiu o caso da Ucrânia.
UKRAINE IS IN THE HOUSE
A notícia.
Esqueça a Rússia; a Ucrânia é quem pode derrubar o presidente americano.
Moendo os grãos.
A gota d’água para Nancy Pelosi são as acusações de que Trump, em busca de ganhos políticos, tentou colocar um governo estrangeiro no bolso, e ainda a tentativa de blindagem da Casa Branca, que não entregou os documentos ao Congresso. Ontem Trump disse que vai liberar as transcrições do telefonema que teve com o presidente ucraniano.
Everybody hates Joe.
O escândalo estourou semana passada no Washington Post: um ‘whistleblower’ – alguém de dentro do governo com acesso a infos privilegiadas – denunciou em agosto que Trump pressionou o presidente da Ucrânia para investigar o filho do ex-vice Joe Biden, provável candidato em 2020. Dias antes de falar com o líder ucraniano, Trump congelou US$ 400 milhões em ajuda ao país.
Bem-vindo ao jogo.
O ex-prefeito de NYC e atual advogado de Trump, Rudy Giuliani, viajou a Ucrânia em junho e agosto para convencer o novato presidente, eleito em maio, para investigar os Bidens. Em 2014, o filho de Biden foi parte do board de uma empresa de energia ucraniana. Trump chamou as acusações contra ele de “caça às bruxas”, já Pelosi falou em “traição à segurança nacional”.
Mais cafeína, por favor.
Hoje, além do discurso do Irã na ONU, estará todo mundo de olho na Ucrânia, que também discursa hoje.

Just like a royal circus.
Por 11 a 0, a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que é hora do parlamento voltar ao trabalho e que o primeiro-ministro Boris Johnson agiu ilegalmente ao aconselhar a Rainha a suspender o parlamento. Mês passado, na tentativa de forçar um Brexit no dia 31 de outubro, Johnson fechou Westminster – a autorização da Rainha é apenas simbólica. Ele disse ontem, ao lado de Trump, que aceita a derrota, mas discorda.
Morou?
O Supremo no Brasil julga hoje se anula mais uma condenação da Lava Jato. No final de agosto, a Segunda Turma do Supremo anulou, pela primeira vez, uma condenação do ex-juiz Sérgio Moro na Lava Jato. Por 3 a 1, o ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, teve a condenação anulada. Hoje o caso a ser julgado é de um gerente da Petrobras.
When 2 become 1.
Após 50 anos, 44 Magazine Awards, e um Pulitzer, a revista New York vai trocar de mãos e unir forças com o império de mídia digital, Vox Media, criado em 2005. A Vox não disse quanto pagou pela New York, que mantém ainda os sites The Cut (estilo, cultura), Grubstreet (comida), Intelligencier (política), The Strategist (shopping) e Vulture (pop culture).
Focas, e morsas, e leões-marinhos, oh my.
Terminando… uma morsa afundou um barco com cientistas no Ártico. Ninguém ficou ferido.
Blame it on the a-a-a-alcohol.
Para terminar, KitKats de luxo custam 16 euros e vêm nos sabores ‘gin tônica’ e ‘uísque com gengibre’. Por enquanto, só na Inglaterra.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e KitKats de gin tônica pra espresso@espressonoticia.com.
Uma quarta-feira produtiva. Até amanhã.
