ESPRESSOU-SE
“O Supremo não apenas defende e guarda a Constituição, como defende e guarda a própria Câmara, uma vez que a imunidade do cargo não pode ser confundida com impunidade.” – ministra do Supremo, Carmem Lúcia, sobre a decisão histórica e inédita que afastou, pela 1a vez na história, um presidente da Câmara. Bye, bye.
ESPRESSO NACIONAL
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A notícia.
Por unanimidade, o Supremo decidiu ontem pelo afastamento de Eduardo Cunha do mandato de deputado e, por tanto, do comando da Câmara dos Deputados.
Moendo os grãos.
Dizem que a Justiça tarda, mas não falha. O agora ex-presidente da Câmara não teve seu mandato caçado – esta prerrogativa é da Câmara, só ela pode caçar. Mas o fato é que Cunha caiu. E antes de Dilma. Quem diria. O pedido de afastamento já tem tempo, foi feito ainda em dezembro pelo procurador-geral (alegando que Cunha usava o cargo de presidente para impedir investigações – veja no infográfico os 11 motivos de Janot), mas seu desfecho só aconteceu ontem, meio que de repente, depois da decisão surpresa de Teori pela manhã – que caiu como uma bomba em Brasília.
Explique melhor.
O Supremo, temendo parecer que usurpava os poderes de outro Poder, não sabia se deveria afastá-lo (a Câmara deveria cuidar disso). Tudo mudou depois que a Rede fez novo pedido de afastamento, dias atrás, dessa vez, a respeito da linha sucessória de Dilma. Cunha (o 3o na linha de sucessão) teria de ser afastado, pois presidente da República não pode ser réu. Era esta a questão que seria julgada ontem. No entanto, tendo em vista este julgamento, Teori, finalmente, respondeu ao primeiro pedido e o julgamento então passou a ser: se o Supremo assinava embaixo, ou não, de sua decisão. O resultado foi um sonoro: Tchau, querido! (Veja alguns argumentos dos ministros).
Fim da novela Cunha. Mas o caos político…
Houve fogos na Capital Federal após a decisão. Cunha, que não esperava mesmo (ninguém esperava sua morte abrupta), disse que vai recorrer e não vai renunciar. Ele vive num mundo paralelo. Dilma o chamou de “cara de pau” e afirmou que “antes tarde do que nunca”. Já Temer tira um peso das costas, mas perde a garantia de aprovar rapidinho suas medidas no Congresso. O foco muda agora para o vice-presidente da Câmara, um tal de Waldir Maranhão, de quem Cunha é aliado e que, assim como ele, é investigado na Lava Jato. A crise política está mais quente do que nunca. Quem precisa de Game of Thrones ou House of Cards?
Mais cafeína, por favor!
A esposa e a filha de Eduardo Cunha devem ser denunciadas hoje pela Procuradoria do Paraná por corrupção e lavagem de dinheiro. Tal pai, tal filha.
ESPRESSO SHOTS
Wildfire. O Canadá vive um incêndio sem precedentes. Mais de 80 mil pessoas já foram evacuadas na província de Alberta. Em alguns bairros, mais de 80% das casa foram queimadas. Milhares de carros tentam abandonar a região que está com as estradas bloqueadas devido aos detritos das queimadas. Tenso.
Republicanos em crise. Os ex-presidentes republicanos, Bush (pai) e Bush (filho), disseram ontem que não vão apoiar a candidatura de Trump, o único pré-candidato republicano que sobrou na corrida. O presidente da Câmara dos EUA, Paul Ryan, afirmou o mesmo; disse que não está pronto para endossar Trump. E quem está?
Os últimos dias. A Comissão de Impeachment do Senado vota hoje o relatório sobre o afastamento de Dilma. Dos 21 membros, 16 são contra o governo. Passando na comissão, o relatório chega ao plenário que começa a julgá-lo na quarta-feira. O julgamento histórico deve durar 2 dias. Contagem regressiva.
Nome sujo. A agência de classificação de risco, Fitch, rebaixou mais uma vez a nota de crédito do Brasil ontem. Nós que já havíamos perdido o “selo de bom pagador” no ano passado, descemos ainda mais um degrau já na categoria ‘lixo/ junk’.
House of Cunha. A notícia de sua queda foi destaque pelo mundo. O New York Times afirmou que o afastamento do “poderoso e corrupto político e radialista evangélico” é mais um ingrediente na crise política. A BBC mencionou as tentativas de intimidar seus colegas. E a Forbes afirmou que “o político mais poderoso e corrupto do Brasil” acabava de cair.
Efeito dominó. A Justiça do Maranhão aceitou nesta quinta-feira denúncia contra a governadora Roseana Sarney e seu cunhado, Ricardo Murad, além de outras 14 pessoas. Todos viraram réus.
Seleção. Dunga anunciou ontem a lista dos 23 convocados para a Copa América que começa próximo mês nos EUA. Neymar não está na lista por causa de um acordo entre a CBF e o Barcelona. Era Copa América ou Olimpíadas.
5 anos depois. O Red Hot Chili Peppers divulgou ontem “Dark Necessities”, o 1o single do novo álbum “The Getaway”, que vai ser lançado próximo mês. Ouça.