ESPRESSOU-SE
“Me deem um megafone ou algo.” – Jason Derulo cantou de uma varanda, depois que seu show foi cancelado em Praga. Acontece.

O MESSIAS
A notícia.
Bolsonaro é eleito presidente e a extrema-direita chega ao poder no Brasil.
Moendo os grãos.
Na guinada à direita mais dramática já vista na América do Sul desde o fim das ditaduras militares que dominaram a era da Guerra Fria, Jair Bolsonaro, de 63 anos, se tornou ontem o 38o presidente do Brasil. Com 56% dos votos válidos, ele derrotou Fernando Haddad, do PT, que teve 44%. E assim, depois de quatro eleições seguidas escolhendo a esquerda, a 4a maior democracia do mundo entra agora por um desconhecido novo caminho radical.
Mas não levou um cheque em branco.
Bolsonaro, o primeiro presidente pró-ditadura militar desde que ela chegou ao fim, teve uma vitória convincente e ganhou com uma diferença de mais de 10 milhões de votos. Ainda assim, uma vitória só maior do que a Dilma contra Aécio em 2014, quando a diferença foi de cerca de três milhões de votos. O ex-presidente Lula, por exemplo, teve diferença de mais de 20 milhões de votos nos dois mandatos.
Brasil, mostra a tua cara.
Veja o mapa da vitória. Bolsonaro venceu em 16 estados e Haddad em 11; nas capitais o placar ficou em 21 a 6. Se deu Bolsonaro nas cidades mais ricas e brancas; Haddad venceu em cidades mais pobres e negras.
Domingo ela não vai.
Mais de 30% dos brasileiros simplesmente não foram às urnas – maior nível desde 1989. Os brancos e nulos bateram recorde. Se dos 147 milhões de eleitores, Bolsonaro ficou com 57 milhões e Haddad com 40 milhões, outros 41 milhões ficaram no grupo do “não voto”, equivalente à população de Portugal.
Make Brazil Great Again
Festa do Pai Nosso.
Em seu primeiro discurso como presidente eleito, que só começou depois que todos deram as mãos e fizeram uma oração (a pedido de Magno Malta), Bolsonaro, com uma Bíblia, começou atacando a imprensa, e prometeu defender a Constituição. Falou que não era possível “continuar flertando com o comunismo” e passou por três eixos: democrático (declaradamente pró-ditadura, ele falou em defender a democracia); fiscal (reduzir déficit, fazer reformas), e um eixo ético (falou muito em “verdade”, aceitar a “verdade”, e a “verdade” libertará o Brasil). Whatever that means.
Apesar de você.
Já Haddad, o professor que não conseguiu conter o antipetismo, disse que continuará defendendo seus ideais; lutará pra defender as instituições; e se reconectará com as bases e a galera mais pobre do país. Ele afirmou que direitos civis básicos estão em jogo e é hora de uma oposição forte – se o PT de fato conseguirá liderar essa oposição, ninguém sabe. ‘Não tenham medo,’ pediu Haddad e adaptou um trechinho do hino: “verás que um professor não foge à luta”.
So call me maybe?
Fugindo da tradição, Haddad não ligou para parabenizar o vencedor. Ele se disse muito ofendido com os ataques pessoais durante toda a campanha.
Falando em telefonemas.
O primeiro presidente a ligar para parabenizar o presidente eleito, foi o do Chile. Trump também ligou – e o filho do Bolosnaro ajudou na tradução. Outro que mandou seus parabéns foi Maduro da Venezuela.
Man in the mirror.
Trumpismo e bolsonarismo: veja as semelhanças alarmantes.
Vou dar a volta no mundo.
“Um populista estridente de extrema direita” e “Vitória do ‘Trump do Brasil’ encerra campanha violenta e polarizada” foram algumas das manchetes na imprensa internacional. O New York Times lembrou que Bolsonaro “exaltou a ditadura militar, defendeu a tortura e ameaçou destruir, prender ou exilar seus adversários políticos”.
Caminhando Contra o Vento
Sem lenço e sem documento.
Enquanto um prometeu “mudar tudo isso daí” – ainda que da forma mais grotesca possível –, o outro prometeu trazer de volta os anos de ouro do lulismo. O eleitor quis a mudança, não importasse o que estivesse do outro lado. Após 13 anos de PT no poder, o ódio visceral alimentou as urnas, e durante a campanha, pouquíssimo foi debatido – a ideia de como tirar o país da marcha lenta da economia ficou em segundo plano.
To the right, to the right.
A subida de Bolsonaro coincide com a crescente extrema direita internacional, que se vê representada por Duterte nas Filipinas, Trump nos EUA, Viktor Orban na Hungria, o Afd na Alemanha, e outros. Em meio a essa nova era, foi em 2013, que tudo mudou por aqui; quando surgiram movimentos mais ‘populares’ de direita. E a ultradireita que se escondia também resolveu dar as caras.
Polarização nível hard.
E assim, com o Brasil à flor da pele, Bolsonaro veio surfando em tantas ondas: a onda da extrema-direita mundial; o cansaço com o establishment e os partidos tradicionais; a onda do conservadorismo; a onda contra a corrupção; a onda digital – das redes sociais –, mas nenhuma tão importante como a onda antipetista.
Deu onda – ultraconservadora.
Veja uma retrospectiva de tudo o que rolou na disputa eleitoral que terminou com Bolsonaro eleito.
Não Esqueçamos os Governadores
Em Minas.
O novo governador é Romeu Zema, que derrotou o tucano Anastasia com mais de 70% dos votos. Será um super teste para o Partido Novo – que surgiu em 2011 e participou de sua primeira eleição em 2016.
Em SP.
O neo-tucano João Doria derrotou Márcio França, do PSB, e está ainda mais perto de seu sonho de ser presidente. Se apoiando em Bolsonaro, Doria criou um racha no PSDB, que agora é refém do ex-prefeito.
No Rio.
Com um placar de 60% a 40%, o ex-juiz Witzel derrotou Eduardo Paes, que atribuiu sua derrota à vontade da população por novos políticos.
Norte a Sul.
Ibaneis (MDB) levou o governo do Distrito Federal com 70%. Em Santa Catarina, venceu Comandante Moisés, do Partido de Bolsonaro. No Rio Grande do Norte deu PT, Fatima Bezerra é a única mulher governadora – o partido elegeu 4 governadores (Bahia, Ceará, Piauí e RN). Veja todos os governadores eleitos ontem. Boa sorte, Brasil.
ESPRESSO SHOTS
Black Shabbat.
No sábado de manhã, horário sagrado em que judeus fazem suas preces, um homem invadiu uma sinagoga e matou 11 pessoas em Pittsburgh, na Pensilvânia. Ao entrar no templo, o atirador, um homem branco de 46 anos, gritou “todos os judeus devem morrer”. Em suas redes sociais: muito antissemitismo e xenofobia, incluindo um post sobre Trump não controlar a “infestação de judeus”. Lembrando que este é o século 21.
Boom dynamite.
Já na Flórida, foi preso um cara, de 56 anos, acusado de mandar aquelas correspondências explosivas para os mais importantes críticos de Trump – incluindo Obama e Hillary. Em suas redes sociais: vários posts furiosos contra imigrantes a imprensa, e o Partido Democrata. Por sinal, próxima semana tem eleição legislativa nos EUA, e os democratas podem ganhar a Câmara. Tesão máxima.
Arrasa.
Para terminar, o quinto título da F1 do britânico Lewis Hamilton.
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