
“Honrado.” – Alok é escolhido o 5o melhor DJ do mundo. Remixed feelings.
IT’S JOE’S WORLD
A notícia.
Chega ao fim a Era Trump. Joseph R. Biden é eleito o 46o presidente dos EUA.
Ah.
O atual presidente não reconhece a derrota.
Moendo os grãos.
Em meio à maior votação em mais de 120 anos, uma longa e tensa apuração, protestos pelo país, e ataques presidenciais ao sistema eleitoral, Biden foi escolhido para liderar os EUA pelos próximos quatro anos, ao lado de Kamala Harris, que se tornou a primeira mulher vice-presidente. Aos 78 anos, Biden toma posse no dia 21 de janeiro como o mais velho presidente americano. E um dos mais experientes, há décadas em Washington.
Hello, it’s me.
Biden começou cedo na política em Delaware, depois que sua família se mudou da Pensilvânia. Após uma década no Senado, ele ganhou fama nacional como presidente do Comissão de Justiça na sabatina de confirmação de um juiz supremo indicado pro Reagan – que terminou bloqueado. Como vice de Obama, ele ajudou a implementar os planos pós-Recessão de 2008 – a pior crise econômica desde a Depressão de 1929 – e anunciou o apoio ao casamento entre pessoa do mesmo sexo antes mesmo que Obama.
Philadelphia freedom.
Após quatro dias de contagem de votos, Biden levou no sábado o principal estado que faltava, aquele com maior número de delegados, a Pensilvânia. Logo em seguida, ganhou também em Nevada, e chegou a um total de 279 votos eleitorais – são necessários 270. Trump tem 214. Mas a contagem ainda não acabou. Geórgia, Carolina do Norte e Alaska faltam bater o martel.
It’s a party in the USA.
No sábado à noite, o primeiro discurso de Biden já como presidente eleito enfatizou o caráter da nação. Durante toda a campanha, ele deixou claro que estava em jogo “a alma da nação”. Eis 5 pontos sobre o discurso de Biden como presidente eleito:
- Um novo tom vindo de cima: Biden invocou sua própria espiritualidade e se afastou do egocentrismo que marcou Trump, compartilhando o momento com quem o ajudou a chegar até ali.
- Hora de seguir em frente: Biden mencionou o nome de Trump apenas uma vez em um discurso de 17 minutos.
- A prioridade é o coronavírus: Hoje mesmo, ele já começa nomeando uma força-tarefa de 12 pessoa para cuidar da pandemia durante a transição.
- Um só povo: O discurso inaugural de Trump teve um tom sombrio, no qual não tentou ir além da própria base de apoio. Já Biden se colocou como presidente de todos e não só de quem votou nele: “Prometo unir e não dividir”.
- All of the lights: fogos de artificio e drones desenharam os nomes de Biden e Kamala, além de um mapa dos EUA.
Mrs. Madam Vice-president.
A senadora Kamala Harris fez história como a primeira mulher, a primeira negra, e ainda a primeira com ascendência asiática eleita vice-presidente dos EUA. Filha de imigrantes da Índia e da Jamaica, a eleição de Harris é simbólica em um país de imigrantes como os EUA. Em seu discurso, ela usou um look emblemático branco, representativo da luta das mulheres pelo direito ao voto.
A pergunta agora é.
Após a vitória, Biden e Harris conseguirão restaurar e unir os EUA?
BYE THEN
Não sabe jogar, não desce pro play.
Tradição nas democracias e gesto de cordialidade, Trump não convidará o presidente eleito para uma visita à Casa Branca. Na verdade, a estratégia é não reconhecer a derrota. Algo inédito. Os processos judicias de Trump simplesmente não tem fundamento legal. Mas ele promete muita perturbação nos próximos meses. Ontem o Partido Democrata pediu ao Partido Republicano que cobre Trump e “ajude a preservar a integridade da democracia”.
O que será da transferência de poder?
Nada calma e a mais caótica da história. Tudo é possível.
O Partido Republicano de Trump.
As alegações do presidente de que venceu as eleições, mas está sendo trapaceado, mexeu com parlamentares e autoridades do Partido Republicano, que tentam se afastar dele. Alguns continuam em silêncio, como o senador Mitch McConnell e outros como Ted Cruz se colocaram ao lado de Trump. Tenso. Já o ex-presidente Bush, do mesmo partido de Trump, parabenizou Biden pela vitória.
Se ele não largar o osso?
As cosias demorariam ainda mais. Quem sabe. Novas contagens, desafios judiciais, tudo isso ajudaria a retardar resultados oficiais e alimentaria novas disputas no Colégio Eleitoral. Lembrando que no sistema americano, a população elege delegados* que então depositam seu voto no dia 3 de dezembro. O Colégio Eleitoral segue o que foi determinado nas urnas.
*Distribuídos de acordo com a população estadual. Califórnia tem 55 votos. Iowa tem 6.
Clube da luta.
Para além de disputas judiciais e batalhas eleitorais, o tecido social dos EUA está ainda mais esgaçado e o país mais dividido do que nunca. A principal razão pelo qual o sistema democrático tem funcionado é primeiramente pela crença de que ele funciona. Quando o lado perdedor passar a afirmar que a eleição foi roubada, o futuro se torna sombrio.
‘MERIKA
Soy loko por ti, América.
Em meio ao colapso dos impérios europeus e às ameaças do nazismo e do stalinismo, os EUA se tornaram fundamentais na 2a Guerra Mundial, autores da ordem internacional desde então, e os guardiões do liberalismo*, que preza pelas liberdades individuais. Tudo mudou com a eleição do populista e controverso Trump.
*Não confundir com as teorias do neoliberalismo (neoconservadorismo, monetarismo), que passaram a ser adotadas especialmente a partir dos anos 1970.
Where have you been all my life?
Um crítico das organizações multilaterais criadas pelos próprios EUA, simpatizante de ditadores, e grosseiro com aliados históricos como Merkel da Alemanha e Macron da França, Trump se tornou sintoma do declínio do império americano, que passou a níveis maiores de antipatia perante populações estrangeiras e importantes aliados, que agora esperam uma retomada de relações mais cooperativas.
Eleição no centro do mundo.
Em meio a uma presidência recheada de impulsos autoritários e iliberais, o primeiro presidente impeachado por política externa, e agora o primeiro a perder a reeleição em mais de 30 anos, Trump, destruiu diversas tradições e deixou marca conservadora no Judiciário americano. Veja o que os EUA perderam nos últimos 4 anos desde que Trump foi eleito.
Mas o mais importante.
Who let the dogs out? Após 4 anos, os cachorros estão de volta. Trump foi o primeiro presidente em 150 anos a não ter cachorro na Casa Branca.
POR AQUI…
I can’t live if living is without you.
Enquanto o resto da América Latina, e os principais líderes mundiais parabenizam Biden, o presidente brasileiro se mantêm em silêncio. “Bolsonaro sempre imitou Trump e fará o mesmo em 2022,” afirma cientista político da UERJ. Lembrando que Bolsonaro já disse que sua eleição foi fraudada e por isso não ganhou em 1o turno. Trump fez o mesmo em 2016 ao dizer que ganhou no voto popular.
Aquele abraço.
Com Biden, o futuro da Amazônia deve virar o ponto central da nova relação entre Brasil e EUA. Bora nessa.

Não me abandone.
Longe das eleições americanas, o coronavírus avança com força na Europa, onde a 2a onda já ultrapassou o pico da primeira onda na primavera. O total de novos casos bateu novo recorde. A França teve o maior recorde desde que começou a pandemia em março. O número de europeus internados na UTI por causa da Covid-19 já é o dobro dos americanos hospitalizados no mesmo período – levando-se em conta a população.
Os mortos não falam.
O ex-assessor de Trump, estrategista-chefe da Casa Branca, e principal mentor do novo movimento populista de direita, Steve Bannon, foi banido permanentemente do Twitter, após mais um disparate polêmico. Bannon sugeriu decapitar o infectologista Dr. Anthony Fauci e o diretor do FBI, Christopher Wallace. Básico.
É o bicho, é o bicho.
Terminando… robôs-lobos têm afastado animais invasores no Japão. Já são mais de 60 imensos robôs animalescos sendo usados no país.
Aqui nessa mesa de bar.
Para terminar, Connaught, eleito o melhor bar do mundo.
