
“I’m back.” – Mike Tyson disse estar prestes a voltar a ativa. It’s the eye of the tiger, it’s the thrill of the fight.

Blindadão
A notícia.
“Querem f*#&® a minha família,” diz Bolsonaro a Moro em vídeo fatídico, no qual exige troca na PF para proteger os filhos.
Moendo os grãos.
No dia 22 de abril, dois dias antes da queda do então ministro da Justiça, Sérgio Moro, uma reunião ministerial sem precedentes aconteceu no Palácio do Planalto. Entre palavrões, ameaças, e muitos gritos, o presidente do Brasil exigiu a troca da superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro – estado por onde se elegeu deputado federal ao longo dos últimos 30 anos.
Loucademia de polícia.
O vídeo de mais de três horas continua sob sigilo da Justiça e foi assistido por procuradores, a defesa do presidente e os advogados de Moro. Fontes presentes na exibição disseram que Bolsonaro afirma na gravação que precisa “saber das coisas” que rolam na PF do Rio e diz explicitamente que as investigações não podem “prejudicar família ou amigos”.
Sorria que eu estou te filmando.
Ao longo do vídeo, Bolsonaro bate forte no ex-juiz da Lava Jato e o critica por não defendê-lo com mais ênfase. No dia seguinte à reunião, a Folha revelaria o pedido de demissão do ministro, que confirmaria a sua saída na sexta, dia 24, em coletiva explosiva, na qual disse que o presidente da República tentava interferir politicamente na autonomia da PF. Ontem Moro disse que o vídeo comprova o que relatou.
Balbúrdia.
A gravação não revela só a vontade do presidente de proteger sua família e aliados, mas escancara as entranhas da linha de comando do país. Em pleno palácio, com toda a equipe presente, Abraham Weintraub da Educação defende a prisão de ministros do Supremo, enquanto Damares dos Direitos Humanos diz que é preciso prender governadores e prefeitos. No linguajar presidencial, o governador do Rio é “estrume”, já João Doria é chamado de “bosta” por Bolsonaro.
Detalhe.
O Brasil já enterrava milhares de vítimas. Mas as mortes por coronavírus nem mesmo são mencionadas na reunião ministerial – o que mostra os interesses mais urgentes do governo em plena pandemia. No vídeo, a Covid-19 surge quando o presidente relaciona entrega dos exames a um possível processo de impeachment.
Coincidência ou não.
Ontem a AGU (Advocacia-Geral da União) entregou ao Supremo os exames de Bolsonaro. Instâncias inferiores da Justiça já haviam garantido a divulgação.
Enquanto Isso…
No dia da exibição do vídeo.
Três ministros bastante próximos a Bolsonaro prestaram depoimento.
Moendo os grãos.
Depois dos depoimentos do ex-chefe da PF, Maurício Valeixo, do próprio Moro, e do diretor da Abin (Agência de Inteligência), Alexandre Ramagem – que teve sua nomeação suspensa pelo Supremo –, ontem foram ouvidos os três ministros militares. Todos com sala no Palácio do Planalto: Augusto Heleno (Gabinete de Inteligência), Braga Netto (chief-of-staff) e Luiz Eduardo Ramos (articulação). No depoimento, Heleno fala sobre a amizade de Ramagem e Bolsonaro e que eles se reúnem “corriqueiramente”.
Ó o Pico Aí, Gente!
A notícia.
Em novo recorde, o Brasil registra 881 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas.
Moendo os grãos.
O país teve ontem o dia mais letal desde a primeira morte confirmada no dia 17 de março. Naquele dia, eram 290 casos registrados. O país agora soma quase 180 mil casos confirmados e 12.400 mortos. Este já é o momento mais letal de nossa história desde a Gripe Espanhola, em 1918, quando morreram 12 mil brasileiros só no Rio. Na Guerra do Paraguai morreram 50 mil brasileiros – ao longo de cinco anos.

Top-secret.
O Supremo americano começou a julgar ontem – por teleconferência – um caso histórico sobre o imposto de renda e as finanças de Trump, que impactará a própria Presidência dos EUA. Há anos, Trump tenta manter sob sigilo seu histórico financeiro. Seus advogados dizem que o Congresso não tem poder pra exigir o IR do presidente, que tem imunidade. O Congresso diz que é parte essencial de seu trabalho. Trump é o primeiro presidente em 50 anos a não apresentar os documentos.
Fauci-ane?
O infectologista chefe da Casa Branca, que lidera a resposta contra o coronavírus, Dr. Anthony Fauci, prestou depoimento virtual ontem ao Senado e voltou a alertar que a pandemia não está “sob controle”, contradizendo uma vez mais o seu chefe, o presidente americano. Fauci disse que a reabertura nesse momento pode desencadear um novo surto “descontrolado” e que é preciso muito mais testes – um dia antes Trump disse que os EUA “triunfaram” na testagem.
Caminho das Índias.
O presidente indiano Narendra Modi apresentou ontem um pacote de incentivos de US$ 260 bilhões para ajudar pequenos empresários e agricultores durante a pandemia. Ou seja, cerca de 10% do PIB indiano. A Índia começou no dia 25 de março uma das quarentenas mais duras do mundo, mas ontem os trens voltaram a rodar – o país começa lentamente a reabrir. São 2.300 mortos por Covid-19 registradas até agora. Em tempo, pela primeira vez em 40 anos, as emissões de CO2 caíram.
Vamos pa’ la playa.
Terminando… enquanto Santorini colocou vidraças na praia para trazer os turistas de volta, um restaurante na Suécia reabriu com uma única mesa para respeitar o isolamento. As refeições chegam por um sistema de cordas.
Coronacop.
Para terminar, a Amazon criou um robô assassino que emite raios UV e seria capaz de exterminar o coronavírus em seus mercados e galpões.
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Uma quarta-feira ensolarada. Até amanhã.