
“Há tantas árvores.” – Islândia recomenda à população que abrace árvores na pandemia e evite outras pessoas. Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.

Bolsovírus
A notícia.
Em meio à pandemia, Bolsonaro participa de manifestação que pede a volta da ditadura militar.
Moendo os grãos.
Não poderia ser mais simbólico, no dia do Exército, e em frente ao Quartel do Exército, o presidente da República apareceu ontem para saudar manifestantes que, em plena crise da Covid-19, se aglomeravam – alguns com máscaras médicas – para pedir intervenção militar, o fechamento do Supremo, o fim do Congresso, e a volta do infame AI-5 que terminou por consolidar o golpe civil-militar de 1964.
AI-5?
O Ato Institucional número 5 já apareceu outras vezes nas bocas de gente do governo e da família Bolsonaro. O filho do presidente, ex-futuro-embaixador nos EUA, Eduardo Bolsonaro já fez uso desse capítulo da história brasileira, assim como ministros de governo. No entanto, após 30 anos de democracia, é importante jamais relativizar, normalizar ou deixar que o AI-5 vire rotina no século 21.
O golpe dentro do golpe.
Em 1968, quatro anos após a derrubada pelos militares do governo de Joao Goulart, o AI-5 terminou de vez com a normalidade democrática, quando o novo decreto fechou então o Congresso, cassou políticos, acabou com liberdades democráticas, calou a imprensa, e liberou a tortura. Centenas de pessoas seriam presas e/ou assassinadas pro discordar do governo.
Desordem e retrocesso.
Vestindo verde e amarelo, os manifestantes também tinham cartazes contra Rodrigo Maia, o presidente da Câmara – a quem Bolsonaro declarou guerra na semana passada, horas depois de demitir o então ministro da Saúde. Mandetta e Maia são ambos do DEM (antigo PFL). “Nós não iremos negociar nada. Queremos ação pelo Brasil,” disse o presidente.
Em meio a muita tosse.
Bolsonaro ainda afirmou que “acabou” aquilo que chamou de “velha política” e disse à galera que pedia o AI-5: “eu estou aqui, pois acredito em vocês, vocês estão aqui, pois acreditam no Brasil.” As fortes críticas vieram de todos os lados, da direita à esquerda, e incluiu ex-presidentes, praticamente todos os governadores, parlamentares de todos os partidos, a ex-líder do governo Joice Hasselmann, ministros do Supremo, e conservadores famosos como Danilo Gentili.
Patente alta. Bigode grosso.
Os próprios militares reprovaram a participação de Bolsonaro no ato golpista. Oficiais generais disseram que as Forças Armadas são permanentes e servem ao Estado brasileiro, não ao governo. Básico.
Enquanto isso…
O país enfrenta uma pandemia.
No dia em que Bolsonaro voltou a menosprezar a quarentena, causou aglomerações e desrespeitou a Constituição a qual jurou lealdade (ao saudar manifestação antidemocrática), bolsonaristas fizeram nova carreta em cidades do país contra o isolamento. Na Paulista, houve gritos de “Fora, Doria” e Bolsonaro fez uma aparição via chamada no celular de um dos organizadores. São agora 2.465 mortes por Covid-19.
Abre-te Sésamo
A notícia.
Estimulados por Trump, protestos contra o isolamento crescem nos EUA.
Moendo os grãos.
No final de semana, diversos estados tiveram manifestações contra as medidas de distanciamento social. Os manifestantes, com bonés “MAGA”, fuzis, e cartazes pró-Trump, eram poucos, mas deixaram claro que as manifestações se espalharam. Na semana passada, Michigan foi um dos primeiros estados a registrar carreatas e buzinaçõs contra o governador que estaria ‘usurpando’ os poderes de Trump.
Na sexta.
Dia em que Trump apresentou um plano para reabrir os EUA – apesar de especialistas médicos dizerem que ainda é cedo –, ele próprio tuitou “Libertem Michigan”, “Libertem Minnesota”, e “Libertem Virgínia”. Semana passada, sete estados formaram aliança para decidir quando é seguro relaxar as medidas contra o coronavírus. Horas antes, Trump disse que a decisão cabe a ele apenas. Climão.
Ainda nos EUA.
Março de 2020 é o primeiro março desde 2002 sem nenhum tiroteio dentro das escolas – que estão fechadas por causa da pandemia.

Eu vou invadir sua praia.
Na Europa, Alemanha é o primeiro país com o vírus “sob controle”. No Reino Unido, faltam equipamentos. Já na Espanha, onde as crianças estavam proibidas de sair às ruas, elas poderão abandonar o confinamento a partir do dia 27. O primeiro-ministro espanhol disse que o país deixou pra trás a “fase mais extrema”. Na Austrália, que continua sob quarentena, três praias em Sydney foram reabertas hoje – pelo menos.
Staying aLIVE.
A “maior live da história”, organizada com a ajuda de Lady Gaga, arrecadou US$ 128 milhões; o dinheiro da “One World: Together at Home” vai pra OMS. Já Roberto Carlos conseguiu fazer uma live inteirinha sem mencionar “coronavírus” – para não dá azar. Ah, amanhã é dia de Sandy & Junior.
Hey baby, I think I wanna marry you.
Terminando… casais em NYC agora podem se casar no Zoom. O governador Cuomo disse que deu sinal verde para que a galera tire a licença e diga ‘sim’ on-line.
I’m back, bitches.
Para terminar, Michael Jordan.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, lives e documentários na Netflix que valham a pena pra espresso@espressonoticia.com. br
Uma segunda-feira de paz. Nos vemos quarta, após o feriado de Tiradentes.
