
“Em 2021.” – é quando a Rainha Elizabeth estaria planejando se aposentar, ao completar 95 anos. At last, but not least, the crown, Charles.

I Love Paraisópolis
A notícia.
Os 9 jovens mortos pisoteados na favela, após uma ação da PM, não moravam em Paraisópolis.
Moendo os grãos.
O Baile da 17, um dos mais famosos bailes funk da cidade de São Paulo, existe há mais de 10 anos, e atrai público que vem de outros bairros, outras cidades, e até outros estados. Era 2:30 da manhã na favela encravada ao lado do Morumbi, quando a polícia invadiu atirando balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Correria. Tumulto. Milhares de pessoas alvejadas pela PM em vielas, muitas delas becos sem saída.
É baile de favela.
As versões são conflitantes. Enquanto sobreviventes relatam horas encurralados em vielas com bombas e bala de borracha, o porta-voz da PM diz que um grupo de policiais abordou uma moto, que fugiu, entrou atirando na favela, e seguiu pro baile. A versão da polícia, no entanto, contradiz o próprio relatório da PM. O tenente também defendeu o uso de bala de borracha pra dispersão de grupos – o que vai contra protocolos da instituição.
Mas quando toca, ninguém fica parado.
Ontem seis policiais envolvidos foram afastados. Vídeos corroboram a versão dos sobreviventes. A PM vai investigar. Mas para João Doria, chefe do Poder Executivo paulista, e teoricamente a quem as forças policiais estão subordinadas, a PM não errou e não tem culpa. Na campanha, o governador de SP, que é ex-Bolsodoria, disse coisas como “a polícia vai entrar pra matar, a partir de janeiro”, em uma tentativa de surfar no bolsonarismo.
Nós somos jovens.
Morreram Luara Victoria de Oliveira, 18 anos, e oito rapazes: Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos, Bruno Gabriel dos Santos, 22, Eduardo Silva, 21, Denys Henrique Quirino da Silva, 16, Mateus dos Santos Costa, 23, Gabriel Rogério de Moraes, de 20 anos, e dois não identificados, com idades aproximadas de 18 e 28 anos, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O Julgamento de Mary Jane
A notícia.
A Anvisa decide hoje se libera o plantio da maconha para uso medicinal no Brasil.
Moendo os grãos.
Apesar da pressão política – o governo Bolsonaro é contra –, a Agência de Vigilância Sanitária tentará novamente votar hoje uma nova regulação sobre o cultivo de cannabis para pesquisa; produção de medicamentos; e uso medicinal. A votação já deveria ter ocorrido em outubro, mas foi adiada duas vezes por pressão do governo. O fato é que com ou sem aval da Anvisa, o plantio de cannabis medicinal já é realidade no país.
Ainda assim.
O clima tá quente dentro da Anvisa. Na sexta, o diretor Renato Porto, desde 2005 na agência, renunciou – ele era a favor da liberação. A partir de 2020, Bolsonaro deverá ter maioria na diretoria da agência, e ele já deixou claro que não indicará entusiastas do cultivo e venda de remédios à base de cannabis.

70 ANOS:
We Belong Together?
A notícia.
Com uma festinha nada animadora, a aliança militar EUA-Europa completa hoje 70 anos.
Moendo os grãos.
Se em 1999, no aniversário de 50 anos da OTAN (NATO), Bill Clinton presidiu um super banquete na Casa Branca, com direito a três dias de muita pompa, com Trump na presidência, isso parece arriscado. Bem arriscado. Então o dia de hoje será comemorado com um encontro mais basiquinho em Londres… a Rainha até será a anfitriã, mas nada de banquete. Os 29 líderes vão curtir uns canapés e proseco.
Party of hell.
Criada em 1948 contra os soviéticos, a OTAN (Organização do Atlântico Norte) passou de 12 países, no início da Guerra Fria, para os atuais 29, mas as reuniões da aliança, que eram rituais óbvios pra mostrar união, viraram adrenalina pura com Trump. Ele é o 1o presidente americano a considerar o pacto mais como um fardo do que um ativo valioso, e acha que o grupo já não vale tanto a pena.
Happy birthday to us.
Desde que chegou ao poder em 2017, Trump dispara tweets atacando aliados sobre gastos com a defesa da OTAN. Ele é o primeiro presidente em 70 anos a colocar em cheque a defesa mútua entre os países. Chamada de “aliança mais bem-sucedida da história”, o francês Macron disse, no mês passado, que a OTAN passa por “morte cerebral”. Let the party begin. Cheers.

Não era amor, era cilada.
Em mais uma decisão protecionista, que foge do liberalismo que regeu os EUA por tempos, Trump disse que colocará tarifas no aço brasileiro, pois o Brasil manipula de propósito o real. Oi? Para economistas, Trump não entende a desvalorização do real frente ao dólar. Ou finge que não. O setor está em choque e acredita ser retaliação até por outros assuntos, tipo o 5G – o Brasil não sabe se instala 5G da China ou dos EUA. Já a XP investimentos acredita ser uma tentativa de fortalecer o apoio de produtores de aço dos EUA (seus eleitores), já que uma eleição vem aí. Bolsonaro disse que “se for o caso”, ele liga pra Trump. Boa.
I get by with a little help from my comuna friends.
Rock induz ao aborto e ao satanismo; já os Beatles surgiram com o intuito de propagar o comunismo, tais afirmações são do maestro e youtuber Dante Mantovani, que é ninguém menos que o novo diretor da Funarte, a Fundação Nacional de Artes, que cuida de políticas públicas de fomento à música, teatro e dança. Ele foi nomeado pelo secretário da Cultura, Roberto Alvim, escolhido a dedo por Bolsonaro. Alvim já mudou nove diretorias da Cultura, incluindo a Fundação Palmares, que agora é controlado pro um negro que nega o racismo.
Messias.
O brasileiro Alisson foi eleito ontem o melhor goleiro do mundo e recebeu o prêmio da Bola de Ouro. Já o melhor jogador do mundo é, mais uma vez, o argentino Leonel Messi.
The shinning.
Para terminar, depois das inesquecíveis ‘árvores de sangue’, Melania apresentou ontem a decoração de Natal da Casa Branca desse ano.