
“Suflê de queijo e vieiras.” – foram servidos ontem no julgamento do chef francês que processou o guia Michelin. Ele quer as três estrelas de volta. Masterchef: a revanche.

Na Rua, Na Chuva, No Sítio
A notícia.
A segunda instância ignorou o Supremo, condenou Lula e ampliou sua pena no caso do sítio de Atibaia.
Moendo os grãos.
O TRF-4, o Tribunal Regional Federal em Porto Alegre, manteve ontem a decisão da juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro em Curitiba, que condenou Lula pelo sítio. De acordo com a defesa, a juíza plagiou a sentença. No entanto, a segunda instância foi além e aumentou a pena de 12 para 17 anos. Com a decisão, o TRF-4 ignorou o novo entendimento do Supremo, que havia decidido que réus deletados têm de falar antes dos réus delatores.
Como assim?
Em outubro, o Supremo decidiu que réu delator é diferente de réu delatado, logo, os delatados têm direito a falar por último. Isso não aconteceu em vários processos. Em agosto, o Supremo suspendeu, pela primeira vez, uma condenação da Lava Jato usando esse argumento. Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil, teve a sentença anulada. Enfim, o TRF-4 ignorou a novidade ontem.
Morou?
Petistas ligados a área jurídica disseram que a decisão não surpreende. De acordo com eles, o TRF-4, que condenou Lula duas vezes em segunda instância (triplex e sítio), seria área de influência de Sérgio Moro.
Enquanto isso, no Supremo.
Já há maioria para o compartilhamento de dados fiscais entre o Ministério Público e o Coaf*, órgão que monitora lavagem de dinheiro. Dias Toffoli foi o único que votou contra até agora. A polêmica decisão de Toffoli, que agora é julgada pelos colegas, interrompeu mais de 900 investigações que teriam acessado dados da Receita através do Coaf sem antes o aval de um juiz. O julgamento volta hoje.
* O COAF foi rebatizado por Bolsonaro de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) e transferido para o Banco Central. O filho de Bolsonaro é um dos que teve investigação suspensa com decisão de Toffoli.
Erramos: o Espresso informou ontem que o Superior Tribunal de Justiça (STJ), abaixo apenas do Supremo, analisaria o caso do sítio Atibaia. A análise foi feita pelo TRF-4.

Pisco SOUR
A notícia.
Em resposta aos protestos, o Chile reduzirá os salários dos políticos.
Moendo os grãos.
A capital Santiago chega a sua quinta semana de protestos sem sinal de que as coisas se acalmarão. No começo das manifestações, em outubro, o presidente chileno chegou a dizer que o país estava em guerra, declarou ‘estado de emergência’ e inclusive cancelou o aumento no preço do transporte – o que iniciou os protestos –, mas a coisa cresceu e se tornou bem mais profunda.
Nem São Tiago salva.
Ao decidir cortar pela metade os salários dos políticos – inicialmente por dois meses –, o presidente Sebastian Piñera tenta acalmar os ânimos. Mas tá difícil. Em meio a reformas econômicas que ignoraram a diminuição da desigualdade nas últimas décadas; baixo crescimento; descrença na Democracia; polarização; e falta de perspectiva, os protestos parece que vieram pra ficar.
Living la vida loka.
Muitos no Chile falam em “queda na qualidade de vida provocada pelas políticas neoliberais”. Não à toa, Piñera prometeu aumentar o valor da aposentadoria* e o salário mínimo. Por aqui, Bolsonaro já classificou os protestos no Chile de “atos terroristas”; pretende modificar o decreto de GLO; e até o seu ministro da Economia, Paulo Guedes, já falou em AI-5, caso Lula movimente protestos como os do Chile.
*Ainda nos anos 1980, o Chile foi o primeiro país do mundo a privatizar sua Previdência, algo que até então só existia nos livros teóricos de economia.

I’m grateful for…
É Dia de Ação de Graças. Aos leitores que celebram a data e não queiram falar de Trump e impeachment nesse Thanksgiving, tente distrair a galera mudando o fluxo da conversa com alguns desses assuntos: o mundo vive um número recorde de protestos em massa (só aqui ao lado, além de Chile, Colômbia tá pegando fogo); Hong Kong tá cada dia mais quente (ontem os EUA aprovaram resolução a favor da ilha); Brexit continua uma bagunça. Happy Thanksgiving.
A coisa tá preta. Ou não, né.
Bolsonaro nomeou ontem conservadores polêmicos para nove pastas ligadas à Cultura. Na Fundação Palmares, que promove cultura afro-brasileira, foi nomeado um negro que nega a existência de “racismo real”; defende o fim do movimento negro; e diz que a escravidão foi “benéfica para seus descendentes”. Já na secretaria que aprova projetos da Lei Rouanet, foi indicado um crítico do Tropicalismo e seguidor do ‘guru’ Olavo de Carvalho.
Em tempo, a atriz Cacau Protásio sofreu ataques racistas repugnantes de bombeiros.
Hey Tesla.
A Audi vai cortar 7,5 mil empregos em preparação para entrar na era dos carros elétricos. Outra alemã, a Volkswagen – dona de Porsche e Lamborghini –, tá no mesmo caminho e pretende lançar 70 novos modelos de carro elétrico até 2025.
Knockout?
Terminando… corpo de Rocky Balboa, cabeça de Trump. Checaram o Instagram do presidente americano?
It’s the most wonderful time of the year.
Para terminar, o primeiro cartão natalino impresso da história. Produzido em 1843, o cartão está em exposição desde a semana passada em Londres.