
“Muito acontece antes das primeiras palavras.” – bebês choram em línguas diferentes. Na barriga, eles já ouvem cadência e melodia da voz da mãe. Hush, little baby.

Follow The Money
A notícia.
Em um voto longo e confuso, o presidente do Supremo limitou a troca de dados fiscais entre Receita e Ministério Público. O julgamento volta hoje.
Moendo os grãos.
Até agora só votou o presidente do tribunal, Dias Toffoli, que levou 4 horas para explicar seu voto – documentado em um relatório de 64 páginas. Toffoli disse que o COAF*, que ajuda a monitorar lavagem de dinheiro, foi criado na mesma lei que tipificou o crime de lavagem, mas que o órgão não é responsável pela aplicação da lei. Relatórios do órgão não constituem prova e, por tanto, precisariam de aval judicial.
Cada cabeça uma sentença.
É uma situação delicada, já que a lei sobre lavagem, criada há 20 anos, deixa algumas lacunas em aberto. Ou seja, o que está em jogo é o que pode e o que não pode ir num relatório de inteligência financeira. Ao mesmo tempo, é o Congresso quem deve legislar sobre proteção da privacidade nas investigações de lavagem de dinheiro – levando em conta as práticas internacionais que tem evoluído nos últimos anos.
Você me faz tão bem.
A polêmica decisão de Toffoli, que agora está sendo julgada por seus colegas, interrompeu mais de 900 investigações que teriam acessado dados da Receita através do Coaf sem antes a quebra de sigilo de um juiz. Entre elas, a do escritório da esposa de Toffoli e, claro, o caso Queiroz, que envolve Flávio Bolsonaro.
*O COAF foi rebatizado por Bolsonaro de UIF (Unidade de Inteligência Financeira) e transferido da Economia pro Banco Central
Missão Impossível
A notícia.
Meses após uma eleição, Israel deve ter que voltar às urnas de novo.
Moendo os grãos.
Pela primeira vez, nenhum dos dois partidos mais votados conseguiram formar um governo. Depois de Benjamin Netanyahu desistir da missão, o seu rival Benny Gantz também jogou a toalha ao não conseguir as alianças para um novo governo. A partir de agora, são 20 dias para que qualquer um tente formar maioria e ocupar o cargo de primeiro-ministro. Coisa que, depois de Netanyahu e Gantz, não deve rolar. Aí viriam novas eleições.
Já que estamos em Israel.
Trump reverteu 70 anos de política americana e, pela primeira vez desde a criação de Israel, passou a considerar as ocupações em territórios palestinos como sendo legais. Os EUA, assim como a comunidade internacional, consideravam que a única solução de paz possível era a de dois estados, mas desde a Guerra de 1967, Israel controla territórios palestinos (Gaza, Cisjordânia) e vem construindo assentamentos neles.
Falando nos EUA.
Esquentou: o embaixador da União Europeia, Gordon Sondland, que foi um importante doador na campanha do presidente, implicou diretamente Trump e seu advogado Rudy Giuliani e disse que houve ‘quid pro quo’, o toma-lá-dá-cá. O que Trump queria? Que o governo da Ucrânia anunciasse publicamente uma investigação contra Joe Biden. O que a Ucrânia queria? Uma reunião na Casa Branca e os US$ 400 milhões em ajuda, que foi suspendida por Trump.

Um é pouco, dois é bom.
Após acordo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a principal comissão da casa, a de Constituição e Justiça, aprovou ontem mudança na Carta Magna que garantiria a prisão após condenação em segunda instância. A discussão tomou conta do Congresso, após o entendimento do Supremo de que a Constituição brasileira apenas permite a prisão, após o trânsito em julgado em todas as instâncias – fora a prisão preventiva e temporária. Decisão que beneficiou o ex-presidente Lula.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
O porteiro do condomínio de Bolsonaro no Rio recuou no depoimento à polícia ao dizer que ouviu a voz “de seu Jair”. O depoimento revelado no Jornal Nacional levou a um surto ao vivo no Facebook do presidente; à rápida realização de perícia na gravação no dia seguinte; à retirada de arquivos de áudio da portaria por Carlos Bolsonaro; e à intimação se Sérgio Moro para que a PF ouvisse o porteiro. Uma das promotoras do caso Marielle, que fez campanha pra Bolsonaro, caiu nesse meio tempo.
E viveu apagado para sempre.
A Inglaterra só fala em uma coisa, o desastre midiático do século da família real: a entrevista do príncipe Andrews, o terceiro filho da Rainha Elizabeth II. Ontem ele abandonou todas as funções públicas, dias depois da entrevista de 50 minutos sobre sua relação com o bilionário americano Jeffrey Epstein, preso por tráfico de menores em Manhattan – encontrado morto na cadeia. O príncipe tentou defender sua amizade com Epstein, se contradisse, e pareceu não se importar com as vítimas.
Re-imagineering.
Os primeiros filmes da Disney são racialmente problemáticos. Em “Fantasia” (1940), centauros negros são servos de centauros brancos; o filme atualizado teve a cena cortada, agora um filme inteiro ficará de fora do Disney+, o serviço de streaming. É “Song of the South” (1946), considerado o filme mais chocante e racista do legado Disney, mas que só é lembrado pela canção Zip-a-dee-doo-dah. Alguns outros filmes reaparecerão com a mensagem “pode conter reproduções culturais antiquadas”.
Who run the music world.
Para terminar, mulheres dominaram as indicações ao Grammy. As revelações Lizzo e Billie Elish lideram. Gaga, Taylor Swift, Ariana e Lana também tão no páreo.
