ESPRESSOU-SE
“Às 9h, me levaram pra saída, mas não quis ir embora.” – turista australiano passou a noite no Alemão, bebeu com traficantes e diz que aprendeu a usar armas. The real Rio.
ESPRESSO NACIONAL
Receita de Pizza com Massa Fina
A notícia.
Por pressão de Bolsonaro, caiu o número dois da Receita Federal.
Moendo os grãos.
Os próprios técnicos do segundo escalão do Fisco foram pegos de surpresa, e pensaram em entregar os cargos, quando o secretário especial Marcos Cintra trocou o subsecretário José Paulo Ramos Fachada da Silva. Cintra vinha sendo pressionado a demitir toda a sua equipe e, apesar de ser o secretário-chefe, quem comandava mesmo a Receita era Fachada, um auditor fiscal de carreira.
Pressão, vou botar pressão, mamãe.
Após a mudança de ontem, auditores deram um ultimato ao secretário Cintra: blindá-los de interferência política e defender a independência do órgão, que não é o único que vem sofrendo pressão do presidente. Ao longo das últimas semanas, Bolsonaro também tentou mudar postos-chave na PF, o que iniciou uma crise, e ontem ainda rebatizou, mudou de lugar e abriu brecha pra indicação política no Coaf.
Até o Coaf, é?
É. Com a medida, o aliado do ministro Sérgio Moro perde a chefia do órgão, que até ontem era parte do Ministério da Fazenda, e agora se torna vinculado ao Banco Central. Por sinal, o Coaf, que agora se chama Unidade de Inteligência Financeira, foi onde se originou o processo contra o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro, e de seu funcionário Fabrício Queiroz, que está desaparecido.
Lembrando: a queda de braço não é só com a Receita e a PF. O presidente vem pautando por afinidade pessoal a escolha do chefe do Ministério Público, o chamado procurador-geral da República, única pessoa que pode investigar um presidente. O favorito é Antônio Carlos Soares, que não ficou entre os três mais votados da eleição interna do MP, e respondeu a processo por “falsificação”.

ESPRESSO IMPORTADO
Ilhados
A notícia.
Os europeus estão em choque com o possível fim da livre circulação no Reino Unido.
Moendo os grãos.
O primeiro-ministro Boris Johnson, que assumiu mês passado a liderança do Partido Conservador, já mostrou que é bem mais duro do que a antecessora Theresa May. Ontem ele afirmou que, caso aconteça um ‘Brexit duro’ (sem acordo), ele acabará imediatamente com a livre circulação de europeus no país – atualmente não há regras rígidas para cidadãos da União Europeia que entram ou saem do país.
Just like a Halloween party.
Até o dia 31 de outubro, os britânicos precisam entrar em acordo com a Europa. Coisa que Theresa May não conseguiu em mais de dois anos de negociações. Os líderes europeus já disseram que não mudarão mais nada, o acordo é o que é. No entanto, o Parlamento, que votou para não aceitar uma saída sem acordo, também rejeitou o acordo de May, que trazia garantias como a zona de livre comércio.
Confuso, né?
Demais. O Partido Conservador está dividido entre os que querem ‘soft Brexit’ (com acordo) ou ‘hard Brexit’ (sem acordo). Muitos na oposição falam em segundo referendo. Ontem ainda vazaram documentos sigilosos do governo britânico que mostram os perigos de um ‘Brexit duro’: escassez de alimento e gasolina; caos nos portos; fechamento de duas refinarias; fronteira imediata com Irlanda.
Em tempo.
Hoje a alemã Angela Merkel, o francês Macron, e Johnson se encontram para discutir… Brexit. O último encontro de peso para, de fato, conseguir algum tipo de caminho conjunto pra tentar ajeitar as coisas – até o Halloween.
ESPRESSO SHOTS
Taças de vinho & shots de vodka.
Faltando dias para o G-7 na França, ontem o presidente russo e o presidente francês tiveram um bate-papo. Putin e Macron falaram de Ucrânia – em conflito desde que a Rússia tomou-lhes a Crimeia –; de guerra na Síria; e de protestos em casa. Na França, Macron é alvo dos ‘coletes amarelos’, já na Rússia, milhares de pessoas protestam há semanas por eleições livres.
Bonxibonxi bon bon bon.
Entre as democracias, o Brasil lidera a concentração de renda global. No quinto e último capitulo de sua série especial “Desigualdade Global, a Folha analisa a disparidade de renda por aqui, onde o 1% lidera o acúmulo de rendimento, em nenhum outro país os super-ricos concentram tanto dinheiro. A miséria, de 32% em 1994, chegou a 8% em 2014, quando voltou a aumentar para os atuais 11%.
Sinais de fogo.
‘Dia do fogo’, já ouviu falar? Aconteceu no sul do Pará, quando o número de queimadas disparou. Organizado por fazendeiros, a ideia dos incêndios seria mostrar trabalho para o presidente, e fez tamanho sucesso que a onda de calor foi detectada por satélites americanos. Desde que Bolsonaro assumiu, queimadas florestais; invasão de terras; e exploração madeireira vêm aumentando.
Braços aberto sobre a Guanabara.
Para terminar… fotos inéditas do Rio em 1988 – tiradas por um dos mestres da fotografia.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e dicas maneiras pra turistas no Rio pra espresso@espressonoticia.com. br
Uma terça produtiva. Até amanhã.