ESPRESSOU-SE
“Ele peidava e saía… de cinco a seis vezes por dia.” – um funcionário processou seu chefe, mas a corte australiana decidiu que flatulência direcionada em alguém não é bullying. Papum.
ESPRESSO NACIONAL
Passou e Você Não Viu
A notícia.
O golpe de 64 foi alvo de protestos ontem. Tanto o Palácio do Planalto, assim como Eduardo Bolsonaro, postaram vídeos celebrando a ditadura brasileira.
Moendo os grãos.
Na sexta, uma juíza proibiu comemorações dizendo que ia contra a própria democracia. Mas depois a Justiça derrubou a decisão, dizendo que a democracia brasileira já aguenta “a pluralidade ideias”. Bolsonaro chegou a recuar antes, dizendo que era uma ‘rememoração’ e não ‘comemoração’, como seu porta-voz anunciou. Mas golpe militar não é questão de semântica, é substantivo da história – nua e crua.
Afasta de mim esse cale-se.
O vídeo da Presidência, e do filho do presidente, afirmam que o Exército ‘salvou’ o país ao instalar a ditadura. Não é verdade. Novos arquivos liberados pela CIA mostram que os EUA – que trabalharam pra derrubar Jango –, acreditavam que eleições seriam realizadas no ano seguinte ao golpe, e mostram o arrependimento americano: “estimamos que o regime interino fará eleições livres”.
Já em 1965.
Escreve o embaixador americano ao secretário de Estado dos EUA: “O impacto inicial me traz choque e tristeza. Os poderes arbitrários assumidos com atos institucionais* simbolizam um imenso retrocesso na tentativa de trazer a completa normalização constitucional, prejudicando o propósito básico da revolução”.
Em tempo.
Nenhum militar do primeiro ou segundo escalão do governo quis comentar o significado da data, que completou 55 anos. Procurados ao longo do último mês pelos jornais, os 50 principais militares do governo Bolsonaro preferiram o silêncio.
*para manter o poder, a ditadura usou vários decretos, que estavam acima da Constituição, chamados de atos. Entre eles, os que extinguiram partidos políticos; instalaram a censura; e acabaram com o habeas corpus.

ESPRESSO IMPORTADO
Imagine All The People
A notícia.
Milhares de palestinos protestaram sábado em Gaza.
Moendo os grãos.
Os protestos marcam um ano desde que imensas manifestações tomaram conta da fronteira entre a Faixa de Gaza e Israel. Ano passado, Israel comemorou 70 anos de criação e os palestinos marcaram a data com o que ficou conhecida como “Marcha do Retorno”; eles, há tempos, pedem um estado próprio – desde a Guerra de 1967, Israel controla os territórios palestinos (Cisjordânia e Faixa de Gaza).
Enquanto isso.
Quem está ali pertinho de Gaza, é o presidente Bolsonaro, que chegou no final de semana para sua visitinha de 4 dias. Nesse tempo, ele assinará cinco acordos de cooperação, mas uma das principais promessas – de transferir a embaixada de Tel Aviv pra Jerusalém – não vai rolar, o que frustrou o israelense Netanyahu. Muitos no governo acham que mudar a embaixada complicaria a relação com os árabes.
De qualquer forma.
Bolsonaro vai quebrar a tradição da diplomacia brasileira e se tornará o primeiro presidente a visitar o Muro das Lamentações, em Jerusalém – reivindicada pelos palestinos como sua capital. Nem Trump, o maior aliado de Netanyahu, fez o mesmo.
ESPRESSO SHOTS
Ucrana-na-ni-na-não.
Ontem foi dia de eleições na Ucrânia – a primeira desde que protestos derrubaram o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, em 2014, e Vladimir Putin resolveu anexar um pedaço da Ucrânia, a Crimeia. Quem lidera é um comediante anti-establishment; em seguida está o atual presidente; e o candidato pró-Rússia. O fato é que nem a Europa e nem a Rússia apoiou abertamente nenhum dos candidatos.
A história sem fim.
Depois daquela extensãozinha, o novo prazo do Brexit é dia 12 de abril e hoje o parlamento britânico vai tentar uma maneira alternativa para deixar a União Europeia, já que o acordo de saída de Theresa May foi rejeitado, na sexta, pela TERCEIRA vez. Pois é, uma viagem pra Marte; a trama de Game of Thrones; a vida de seu hamster: coisas que não duraram tanto quanto a novela do Brexit.
Progresso positivo.
Pela primeira vez, médicos transplantaram o órgão de uma pessoa com HIV. A cirurgia histórica é mais um avanço para soropositivos e mais um passo na evolução do HIV – que era sinônimo de morte certa quando começou a epidemia de AIDS em 1981. Desde então, remédios mantém o vírus a nível indetectável e garantem uma vida de qualidade aos soropositivos, mas o estigma continua.
Vire à direita.
Terminando… “o primeiro bar de direita do Brasil”? O Destro foi inaugurado no final de semana.
Heart of stone.
Para terminar, sabe quando Drake aparece na balada? Enquanto isso, Mick Jagger foi internado e a turnê de Rolling Stones foi cancelada.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e sugestões de bares (de direita ou esquerda, mas democráticos) pra espresso@espressonoticia.com. br
Que você tenha uma segunda produtiva. Até amanhã.