ESPRESSOU-SE
“Quem quer comer isso?” – McNuggets veganos são a nova polêmica dividindo veganos. Odeio muito tudo isso.
ESPRESSO NACIONAL
XÔ, VAMPIRÃO
A notícia.
Michel Temer foi preso. Ele é o segundo ex-presidente da história preso por corrupção.
Moendo os grãos.
Três meses depois de deixar a presidência do país, e dois anos depois de se tornar o primeiro presidente alvo de uma ação criminal durante o mandato, Temer foi preso ontem numa avenida movimentada no bairro de Pinheiros, SP, poucos minutos depois de sair de casa com seu motorista. Em meio a policiais a paisana e outros com fuzis, o carro foi interceptado, e um policial tomou o lugar do motorista.
Ironias do destino.
Dento do próprio carro, ele foi levado ao aeroporto de Guarulhos. E depois de surfar a ‘onda Lava Jato’, chegando à presidência, seu inferno também é graças a Lava Jato. Ele tá preso na sede da PF no Rio. De acordo com o juiz Marcelo Bretas, que cuida de filhotes da Lava Jato no estado, a prisão – mesmo antes do julgamento em primeira instância – é necessária para “garantir a ordem pública”.
Like an atom bomb about to explode.
As principais bombas contra Temer são a JBS e o suposto esquema no Porto de Santos – caso que levou inclusive à prisão de seus melhores amigos no ano passado. Mas não são os únicos. Ao perder o foro, o Supremo mandou 4 inquéritos para a primeira instância – e abriu outros 5 novos inquéritos –, aquele sobre Angra 3 foi parar nas mãos de Bretas.
I’m radioactive.
Em meio a esta nova fase da “Operação Radioatividade”, a origem da prisão está na delação da Engevix, empresa que tinha contratos na construção da usina nuclear de Angra dos Reis – uma obra iniciada ainda na ditadura que jamais ficou pronta e agora levou Temer à prisão. Imagine que a delação da Engevix chegou a ser dispensada pela Lava Jato de Curitiba.
Vida loka.
A força tarefa da Lava Jato informou também que nos últimos meses, o Coaf detectou uma tentativa de depósito de R$ 20 milhões em espécie na conta de um amigo do ex-presidente. A organização de Temer ainda é acusada de monitorar investigações, sumir com documentos, e fraudar papéis. Eles teriam movimentado R$ 1,8 bilhão, em 40 anos. Ui.
GAME OVER
Hoje é meu aniversário.
A prisão já era esperada por muitos aliados e amigos desde que Temer deixou o poder, mas não poderia vir em melhor hora para o atual presidente, que fez 64 anos ontem. A prisão termina sendo um presente político pra Bolsonaro, que vinha enfrentando uma série de más noticias – de ministro laranja a vizinho miliciano –, e viu sua aprovação cair 15 pontos.
Nada a temer.
Com a histórica prisão de Temer, as atenções se voltam agora pro MDB, um dos mais tradicionais partidos – cujo presidente foi Michel Temer por 15 anos –, e Bolsonaro pode se recolocar novamente como “outsider”, apesar de nunca ter feito nada contra o grupo político de Temer, e ter mantido indicações, como o ex-ministro Carlos Marun no conselho de Itaipu.
Eu tenho a força.
A prisão é também um troco da Lava Jato. Desde a derrota no Supremo, a força-tarefa tenta mostrar força, e procuradores já vinham criticando juízes supremos. Com a prisão de outro ex-presidente, a Lava Jato quer mostrar que é incontrolável. A prisão também foi um dia depois da troca de farpas entre Sérgio Moro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, cujo sogro também foi preso.
Coméquié?
Pois é, Temer não foi o único. Seu best friend há 40 anos, o Coronel Lima, também foi pra cadeia – antes ele tentou esconder o celular embaixo do sofá. E o ex-todo-poderoso-ministro Moreira Franco, único ex-governador do Rio ainda não preso, também foi parar atrás das grades. Detalhe: ele é sogro de Maia, que disse que o clima não atrapalhará a reforma da Previdência. Então tá.
Enquanto isso.
As buscas por Marcela Temer cresceram 4.450% no Google. Agora eu tô solteira e ninguém vai me segurar. Daquele jeito.
ESPRESSO SHOTS
Trump e o bonde do esquenta.
O presidente jogou fora ontem 70 anos de política externa americana e colocou mais lenha no eterno fogaréu no Oriente Médio ao dizer que irá reconhecer Colinas de Golã como território israelense. Israel conquistou as colinas da Síria na Guerra dos 6 Dias, em 1967. O mapa de criação de Israel não inclui as colinas, e nem a ONU ou qualquer outro país nunca aceitou a captura dessas áreas.
Como (re)agir?
Levou apenas seis dias para a Nova Zelândia proibir a venda de armas de assalto e semiautomáticas de estilo militar – como as que foram usadas em Christchurch. A primeira-ministra ainda proibiu carregadores de alta capacidade. Medidas assim são sempre discutidas após tiroteios nos EUA, mas logo são enterradas. Hoje faz uma semana do ataque de extrema-direita que deixou 50 mortos numa mesquita. Terror.
Yes, nós temos bananas.
Bolsonaro está no Chile, onde se reúne hoje com líderes da América do Sul pra lançar o Prosul – uma nova organização de cooperação regional, já que a Unasul (criada em 2008) morreu. Amanhã os líderes do Congresso chileno vão boicotar um almoço com ele. Ah, a guerra às bananas do Equador tá de volta: em um live ontem, ele disse que acabará com a importação da fruta, o que beneficiaria seus parentes.
Proibidão pra menores.
Após 16 dias da infame pergunta presidencial: “o que é golden shower”, Bolsonaro apagou ontem o tuíte que postou na quarta-feira de cinzas na tentativa de associar milhões de foliões no Carnaval – muitos criticaram o presidente durante a folia – ao ato escatalógico de dois indivíduos em um vídeo obsceno. Agora, em meio a uma ação que chegou no Supremo, ele apagou o tuíte pornô.
Judgment day.
Terminando…. Ok, a União Europeia concordou em dar mais prazo a Theresa May,mas não do jeito que ela queria. Fica assim: se o parlamento britânico passar o acordo atual, o Brexit rola no dia 22 de maio; se o acordo não passar novamente, May tem até 24 de abril – apenas – para outro acordo. Ou fim!
Peace & music.
Para terminar, o histórico Festival de Woodstock vai fazer 50 anos; e este é o line-up da comemoração.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e bananas equatorianas pra espresso@espressonoticia.com. br
Happy Friday!