ESPRESSOU-SE
“Germes não são reais.” – o apresentador da Fox News resolveu revelar que não lava a mão, tipo há 10 anos. That’s all, folks.
ESPRESSO NACIONAL
A Vida É Um Moinho
A notícia.
A queda de um helicóptero matou ontem um dos mais importantes nomes do jornalismo, Ricardo Boechat, que ajudou a moldar a imprensa brasileira.
Moendo os grãos.
Aos 66 anos, o jornalista estava no helicóptero que tentou um pouso de emergência – ainda não se sabe por quê – na Rodovia Anhanguera, em SP, quando se chocou num caminhão (veja o vídeo). O helicóptero explodiu na mesma hora matando Boechat e o piloto. O jornalista tinha ido a Campinas pra uma palestra – coisa rápida – e planejava inclusive almoçar em casa.
Ironias do destino.
Antes de pegar o helicóptero rumo a Campinas, ele fez seus comentários na rádio BandNews FM, como fazia todas as manhãs. Falou justamente sobre o rastro de tragédias das últimas semanas e cobrou das autoridades: “A impunidade é o que rege.” Horas depois, seria vítima de mais uma tragédia brasileira. A empresa do helicóptero, por sinal, não podia transportar passageiros.
Senhor, piedade.
Lama em Brumadinho; chuvas no Rio; fogo no Flamengo, um helicóptero que cai… a pergunta que surge é: como lidar com o luto? Ontem, por sinal, O Globo mostrou que, nos últimos 12 anos, negligência, omissão, e impunidade – como em Mariana; no acidente da TAM em 2007; na boate Kiss – mataram 1775 pessoas, sem nenhuma condenação.
Saudades, Boechat
De gregos a troianos.
Em 50 anos de jornalismo, e dono de três prêmios Esso, ele foi dos jornais impressos à radio e a TV, e se tornou uma rara referência nacional, que se fazia entender e era ouvido por todos, do rico ao pobre, da esquerda à direita; “até seus inimigos o respeitavam”, diziam sobre o âncora. Em tempos de extrema polarização e paixões agudas, suas ponderações farão mais falta do que nunca.
Não aprendi dizer adeus.
Versátil, dinâmico, e com talento pra farejar news, ele começou a carreira nos anos 1970 e passou pelo O Dia, Jornal do Brasil, Estadão, O Globo, Band. Como colunista do Globo, ficou conhecido pelos furos jornalísticos e por colocar notícias em colunas sociais. Juntava com maestria fofocas de celebrities ao mundo político, sempre com bom humor – além de tudo, era piadista e brincalhão.
Daqui pra frente.
Sua morte parece também ser simbólica da crise que atravessa o jornalismo profissional, em meio à revolução digital, onde é cada vez mais difícil, como dizia o próprio Boechat: “distinguir a verdade da mentira”. RIP.

ESPRESSO IMPORTADO
A Vida Começa aos 40
A notícia.
Aos gritos de “Trump idiota”, o Irã comemorou ontem os 40 anos da histórica Revolução Islâmica que mudou o país, e o Oriente Médio, pra sempre.
Moendo os grãos.
Milhares de iranianos marcharam na capital Teerã para marcar o aniversário da mega revolta que, em 1979, acabou com 2,500 anos de monarquia e transformou o Irã – conhecido no passado como Pérsia – em uma República Islâmica, ou seja uma teocracia mesmo. Caiu assim o rei, apoiado pelos EUA, que anos antes até aumentou seus poderes com a ajuda de um golpe patrocinado pelos EUA.
It’s all coming back to me now.
Desde então, os EUA e o Irã são inimigos. “Morte à América” é o principal grito de guerra surgido na revolução de 1979 que se ouve até hoje. Semana passada, o líder supremo iraniano, o Aiatolá Ali Kamanei explicou que não deseja morte a todos os americanos: “morte a América significa morte a Trump, John Bolton (Segurança Nacional), e Mike Pompeo (secretário de Estado)”. Tendi.
É reciproco.
Trump sempre ataca o Irã no Twitter e, quando assumiu, rasgou o acordo iraniano, costurado por Obama e cinco países europeus, que retirava sanções e obrigava o país a limitar atividades nucleares e receber inspeções periódicas. As sanções estão de volta e o Irã não tá nada feliz. Ontem Trump mandou seu recadinho de aniversário – com um tweet em persa.
ESPRESSO SHOTS
Mais que amigos, friends.
Quem visitou Bolsonaro no hospital ontem foi o governador de SP, João Doria, que conversou sobre reforma da Previdência; disse que a versão final tá quase pronta. E “Bolsonaro não é um bicho papão”, tá oquei? Pelo menos, é o que disse Paulo Guedes em entrevista de ontem ao Financial Times. O ministro da Economia ainda disse que esquerda “tem miolo mole” e direita, “um coração não tão bom”.
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?
Três dias depois do incêndio que matou 10 garotos no centro de treinamento do Flamengo, ontem outro clube carioca foi palco de um incêndio em seus alojamentos. Os atletas do Bangu descansavam na hora, e foram levados pro hospital; não há ninguém em estado grave. Em tempo, ontem a presidência do Fla se reuniu com Ministério Público, prefeitura e bombeiros.
Eu vou fazer um leilão. Ou não.
Pinturas feitas por Hitler não foram arrematadas em um leilão na Alemanha. A venda de memorabilia nazista é polêmica. Em 2015, uma casa de leilão fez US$ 400 mil com objetos de Hitler – os compradores vieram da Alemanha, China, França, Brasil, e Emirados Árabes. Muitos dizem que é por razões históricas, mas crescem os grupos neonazistas que compram coisinhas assim por idealizar o regime.
These boots are made for controversy.
Terminando… delegacia no Rio abriu um inquérito pra apurar racismo dentro do Big Brother Brasil. Falando em questões raciais, os sapatos de Katy Perry vem dando o que falar.
It’s getting hot in here.
Para terminar, invasão de ursos polares. Ninguém sai de casa.
Por favor, mande qualquer notícia, críticas, comentários, e sabonete antibacteriano pra espresso@espressonoticia.com. br
Uma terça iluminada. Até amanhã.