ESPRESSOU-SE
“É um lubrificante, gentil para a pele, pois é preciso um ritual para entrar no látex.“ – a estilista Atsuko Kudo sobre o processo ao qual Beyoncé se submeteu para entrar em seu vestido Givenchy usado no Met Gala. O tema do Met Gala esse ano – black tie hi-tech – fez com que a maioria optasse por looks prateados e metálicos, mas algumas celebrities, como Queen B, preferiram mostrar os avanços tecnológicos da moda e usaram criações de borracha – ninguém disse que ia ser fácil. ‘I’m so reckless when I rock my Givenchy dress’.
ESPRESSO NACIONAL
Voltas e Reviravoltas
A notícia.
O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, decidiu anular ontem o processo de impeachment de Dilma. Mas não deu em nada. Apenas em xacota internacional.
Moendo os grãos.
Ele pode ser do “baixo clero” (deputados de pouca expressão), e apesar do poucos dias presidindo a Câmara, chegou para causar. Numa decisão que caiu como uma bomba em Brasília, o presidente que assumiu na semana passada o lugar de Eduardo Cunha, tentou suspender a decisão tomada pela maioria da Câmara no dia 17 de abril. Era por volta do meio-dia quando ele decidiu gritar: Surpresa! (Leia íntegra da nota que explica a anulação). Ao fim da noite, ele mudou o discurso para: Esquece tudo! Havia decidido revogar a sua própria decisão que virou o país de cabeça pra baixo. Oi???
Muita calma nessa hora.
Mais cedo… Dilma preferiu pedir “cautela” e disse que vivemos uma “conjuntura de manhas e artimanhas”. O que se seguiu foi uma guerra de versões sobre a validade da decisão de Maranhão. Segundo deputados petistas, não houve direito à ampla a defesa e a decisão “restabeleceria a ordem”. Já políticos de oposição disseram que a decisão monocrática, tanto tempo depois, era “insanidade”, “intempestiva” e servia apenas para tumultuar. De fato.
Mudaram as estações; nada mudou.
O presidente do Senado decidiu continuar o processo e ignorar a decisão de Maranhão. Uma vez que o processo já está no Senado, a Câmara não tem mais competência para interrompê-lo, avaliou Renan Calheiros. Ao fim do dia, o governo – que achou que Renan seguraria o processo – lamentava. A alegria durou pouco. Ainda assim, os senadores do PT prometeram ir ao STF. Após uma segunda-feira como não se via há tempos, ficou tudo como está. A não ser para Maranhão que deve ser expulso de seu partido, o PP. Já para Dilma… tudo deve mudar amanhã.
Termômetro do Impeachment no Senado.
São 81 senadores. São necessários 41 senadores para que a presidente da República seja afastada. Veja como está o placar do impeachment, que começa a ser votado às 9 hrs dessa quarta-feira.
Caçando o Homem-Bomba
A noticia.
O Senado decide hoje o destino do senador-delator e ex-líder do Governo, Delcídio do Amaral.
Moendo os grãos.
Um dia interminável. Não bastasse toda a confusão com a decisão do presidente interino da Câmara, coube a Delcídio roubar os holofotes à noite. Não bem Delcídio, mas a CCJ (Comissão de Justiça do Senado). Na semana passada, o Conselho de Ética decidiu pela cassação do mandato de Delcídio. Seguindo o ritual, o processo de cassação passaria pela CCJ, apenas uma formalidade, e então seria julgado pelo plenário – tudo antes da votação do impeachment marcado para esta quarta-feira.
O último dia de um senador da República.
No entanto, no meio da discussão sobre Maranhão, Renan Calheiros foi informado de que a CCJ havia deixado a análise para quinta. Ele interveio, “acho que algumas pessoas querem que o senador Delcídio participe da sessão do impeachment,” e afirmou que isto não aconteceria: ou a CCJ analisava logo a cassação ou não haveria impeachment amanhã. Os senadores da CCJ não tiveram dúvida; tudo resolvido. Mais cedo, Delcídio pediu desculpas ao povo brasileiro, e disse que apesar de estar sendo acusado de obstrução da Justiça, queria o perdão, pois fez o que fez a mando de Lula e da presidente Dilma. Mas senador-dedo-duro não tem vez, seu fim já é certo.
ESPRESSO SHOTS
Guerra civil. O governo do EUA processou ontem o estado da Carolina do Norte. O motivo: a sua nova lei que ao limitar garantias à comunidade LGBT viola leis nacionais de diretos civis. A lei estadual aprovada em março obriga transgêneros a usar os banheiros que correspondam ao sexo da certidão de nascimento, por exemplo.
Quem sobrará em pé? O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi obrigado a prestar depoimento ontem – a chamada condução coercitiva. Mantega e mais 14 pessoas foram levadas pela PF no âmbito da operação Zelotes, que investiga venda de sentenças do CARF (o órgão da Receita Federal que estabelece multas para empresas). Tenso.
Enxugando. O vice-presidente decidiu cortar 10 ministérios e seu governo terá agora 22 pastas. O advogado-geral da União e o presidente do Banco Central perderão o status de ministro, por exemplo.
El Chapo, the drug lord. Um juiz mexicano decidiu ontem que o poderoso El Chapo – que no ano passado fugiu de uma prisão de segurança máxima por um túnel que tinha uma moto esperando por ele – pode ser extraditado para os EUA. No entanto, ainda deve levar meses até que a extradição seja consumada.
Bolsa Riri. Rihanna anunciou a criação de um programa de bolsas de estudos para brasileiros. A iniciativa é realizada pela Clara Lionel Foundation, fundada pela cantora em 2012, e também atenderá alunos dos EUA, Cuba, Haiti, Guiana e Jamaica. Work, work, work.
Todo cuidado é pouco. Para terminar, um conselho do Espresso: não tente comer milho usando uma furadeira. A não ser que você queira ficar careca.